Os três vereadores da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada” votaram contra o valor de quinhentos euros de prémio, disponibilizado pela autarquia, para o vencedor do concurso de bandas realizado na FESTAME – Feira do Município da Mealhada, iniciativa, aliás, que foi alvo de “discussão” na reunião de ontem (18 de junho). Após votação, Hugo Silva referiu a intenção de apresentação de uma declaração de voto, a entregar posteriormente à sessão, levando Arminda Martins, do executivo socialista, a manifestar-se descontente com a referida posição.

“O artigo 14.º do regimento (das reuniões de Câmara da Mealhada) são bem claros no que toca a este assunto: as declarações têm que ser ditadas para a ata ou apresentadas por escrito até ao final da reunião”, referiu Arminda Martins, enfatizando querer que a sua posição ficasse registada no documento.

Sem declaração de voto lida na reunião de Câmara da Mealhada, Hugo Silva, mesmo antes do período da ordem de trabalhos, questionou o executivo sobre este concurso, depois do mesmo, recorde-se, ter sido alvo de alguma insatisfação nas redes sociais por ter começado por ser aberto apenas a bandas que nunca tivessem gravado nenhum disco, premissa que acabou por ser alterada dias antes do evento se realizar, dado “o escasso número de inscrições”, bem como “a qualidade de músicas apresentadas”.

Desta forma, decidiu o júri – composto por representantes da promotora cultural Covil, do blogue “A Certeza da Música”, editora discográfica “Pássaro Vago” e revista de divulgação cultural Txi – permitir também “a participação de grupos com músicas que, apesar de originais, já tenham sido gravadas / editadas”.

Ontem, na reunião, Nuno Canilho, vereador na autarquia, começou por explicar que “a Câmara Municipal não teve intervenção nenhuma, em nenhum dos momentos do concurso” e que a insatisfação “partiu de uma senhora que, não tendo visto a ‘sua’ banda selecionada, ‘inundou’ o Facebook insultando os elementos do júri e provocando uma autêntica guerrilha”.

Hugo Silva enfatizou ter havido “uma alteração ao regulamento não divulgada em tempo prévio”. “A Câmara comprou um concurso com base no pressuposto de que as bandas tinham que ser amadoras e, no dia do concurso, decidiu alterar o regulamento”, disse ainda.

Uma prerrogativa de alteração que estava prevista no regulamento, onde nas “Disposições Gerais” se pode ler que “a organização do concurso se reserva ao direito de o alterar, sem aviso prévio, mediante divulgação pública”, o que aconteceu horas antes. Já na cláusula da “Seleção de Finalistas”, está explícito que “as decisões do júri não são passíveis de recurso”. Garantindo, assim, Nuno Canilho que “todos os pressupostos foram cumpridos”.

Recorde-se que a banda “Harpia” foi a vencedora da primeira edição deste concurso, que se realizou na noite de 11 de junho, onde estiveram à prova cinco grupos.

 

Mónica Sofia Lopes