Durante décadas a gestão de pessoas foi construída sobre a ideia de controlo e correção de falhas. Esperava-se dos líderes segurança absoluta, decisões firmes e inquestionáveis e uma imagem quase imaculada de competência. Fragilidade era confundida com fraqueza e admitir limites era visto como um risco. Hoje esse paradigma mostra sinais claros de esgotamento.

Num mundo organizacional cada vez mais complexo, incerto e humano, a verdadeira força começa a emergir de um lugar diferente. Da coragem de assumirmos quem somos, com as nossas virtudes e limitações. Reconhecer a própria fragilidade não diminui um líder. Pelo contrário. Enquanto o humaniza, fortalece-o. E líderes humanos geram relações mais autênticas, equipas mais seguras e ambientes onde as pessoas não precisam de gastar energia a esconder quem são. Substitui-se o medo pela abertura à pergunta e à partilha. Quando alguém se sente autorizado a ser inteiro, liberta-se para contribuir com o melhor de si.

Na gestão de pessoas a fragilidade assumida transforma-se num poderoso instrumento de confiança. Um líder que reconhece que não sabe tudo abre espaço para o diálogo. Um gestor que admite erros cria uma cultura onde aprender é mais valorizado do que aparentar perfeição. Uma organização que aceita limites torna-se mais adaptável, porque deixa de lutar contra a realidade.

Equipas fortes não são feitas de indivíduos perfeitos, mas de pessoas conscientes das suas forças e fragilidades, capazes de se apoiar mutuamente. Quando cada um conhece o seu lugar, a cooperação deixa de ser um discurso e passa a ser prática. Na diferença encontramos a complementaridade que promove uma equipa forte.

Há também um impacto profundo no bem-estar. A tentativa constante de corresponder a um ideal inalcançável gera ansiedade, desgaste emocional e afastamento. Já a aceitação de si promove saúde psicológica, autenticidade e um sentimento de pertença.

Em suma, tudo será mais leve se abandonarmos a luta contra aquilo que somos para aprendermos a trabalhar com isso.

 

Como diria Carl Jung, “quando deixamos de lutar contra nós mesmos, começamos a compreender os outros”.

 

 

Artigo de Pedro Oliveira Castela