No mundo atual as profissões surgem, evoluem e desaparecem a um ritmo acelerado. E pedir a um jovem que escolha o seu caminho académico e profissional aos 15, 16 ou 17 anos é, no mínimo, um enorme desafio. Este desafio transforma-se ainda num momento de grande pressão que cria ansiedade, dúvidas e, muitas vezes, é uma decisão vivida com base na desinformação.
No passado as escolhas vocacionais eram grandemente influenciadas pelo contexto familiar ou pelas “profissões seguras”. O mercado de trabalho mudou bem como o paradigma de pensamento dos futuros novos profissionais. Seguir o contexto familiar tornou-se limitativo e as ditas “profissões seguras” não só estão em vias de extinção, como os próprios futuros novos profissionais já não valorizam tanto essa segurança. Procuram propósito e alinhamento com os seus valores e não tanto posições seguras.
Neste novo contexto onde as escolhas deixaram de ser guiadas por modelos pré-definidos e passaram a depender de uma maior consciência individual, o desafio torna-se ainda mais complexo. Já não basta escolher “uma profissão com futuro”. É essencial compreender quem se é, o que se valoriza e de que forma isso pode encontrar espaço no mercado de trabalho.
É precisamente aqui que o serviço de orientação vocacional ganha uma relevância incontornável. Um processo de orientação vocacional bem estruturado ajuda o jovem a conhecer-se melhor, a identificar os seus interesses, motivações, talentos e até os seus receios. E só depois deste processo podemos falar de cursos ou saídas profissionais, permitindo assim transformar uma decisão abstrata numa escolha mais consciente, fundamentada e alinhada com a sua identidade.
Muitos jovens fazem estas escolhas sem qualquer acompanhamento especializado. Procuram suporte nos amigos, familiares ou em pesquisas superficiais, o que pode conduzir a decisões pouco ajustadas e, mais tarde, a frustração, desistência ou mudança de percurso. Não é raro encontrar estudantes universitários que, poucos meses após iniciarem um curso, percebem que não era aquele o caminho que imaginavam.
Investir em orientação vocacional é, por isso, dar aos jovens ferramentas para decidirem melhor hoje e para se adaptarem melhor amanhã. Quando bem conduzido, o processo de orientação vocacional não ajuda apenas o jovem a escolher um curso, ajuda-o a construir um projeto de vida.
Artigo de Pedro Oliveira Castela























