A cidade da Mealhada está em festa até ao próximo domingo, 14 de junho, com a Feira de Artesanato e Gastronomia da Mealhada, certame que conta com cerca de uma centena de artesãos, oriundos de todo o país; tasquinhas gastronómicas com as iguarias típicas da região; e uma panóplia de artistas que, depois de Anselmo Ralph na noite de ontem, conta ainda com Quim Barreiros (esta noite), Electrik Band (amanhã), Karetus (12 de junho) e Tony Carreira (dia 13), finalizando com uma tarde de domingo dedicada ao samba. A cerimónia de inauguração foi presidida pelo secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, que levou do Autarca da Mealhada, António Jorge Franco, preocupações com «a ferrovia, concretamente com o Ramal da Figueira da Foz» e com a descentralização que, defende, «deve ser acompanhada dos meios necessários para servir melhor as populações».
«O Município da Mealhada foi pioneiro em matérias que hoje associamos à descentralização de competências e continuamos a acreditar neste modelo. Quem está próximo das pessoas conhece melhor as suas necessidades, responde com maior rapidez e consegue encontrar soluções mais eficazes», começou por dizer o presidente da Câmara da Mealhada, acrescentando, contudo, que «para que este modelo seja verdadeiramente bem-sucedido, é indispensável, que as competências sejam acompanhadas dos recursos financeiros adequados».
«Os municípios têm assumido responsabilidades cada vez maiores e as verbas transferidas pelo Estado continuam aquém das necessidades reais. Não pedimos privilégios, pedimos apenas que a confiança que o Estado deposita neles através da descentralização seja acompanhada dos meios necessários para servir melhor as populações», enfatizou.
Já sobre a ferrovia, António Jorge Franco congratulou o facto de «Portugal estar a investir na modernização ferroviária», mas recordou que «é fundamental que este investimento não esqueça infraestruturas decisivas para a coesão territorial e para a competitividade económica do país». «O Ramal da Figueira da Foz é uma dessas infraestruturas. A sua importância ultrapassa a dimensão local. Trata-se de uma ligação estratégica entre o Porto da Figueira da Foz e a Linha do Norte, fundamental para a mobilidade de pessoas e de mercadorias e para o desenvolvimento económico de toda esta região», disse, acrescentando que «todos conhecemos os constrangimentos existentes na zona de Alfarelos, um verdadeiro funil ferroviário que limita a circulação e reduz a eficiência da rede, e que, com a futura alta velocidade, tenderão agravar-se». «Tornar-se-á mais evidente a necessidade de reforçar e valorizar o papel do Ramal da Figueira da Foz, como complemento ao Ramal de Alfarelos», disse ainda o edil, apelando «para que esta infraestrutura continue a merecer a atenção e o investimento do Governo».
Em resposta, o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território admitiu que «a descentralização veio para ficar, colocando as decisões mais próximas de quem delas precisa», concordando que, contudo, «necessita de um apoio financeiro idêntico» e que, por isso, o Governo tem já «um grupo de trabalho formado que está a rever essa matéria em conjunto com as Associações dos Municípios, das Assembleias Municipais e das Assembleias de Freguesias». «As Autarquias aplicam muito melhor o dinheiro do que se as decisões forem tomadas em Lisboa. Estamos muito empenhados em dotá-las de ferramentas necessárias para executarem em pleno o seu trabalho»», disse ainda Silvério Regalado, que garantiu «levar ao Governo as preocupações manifestadas com a ferrovia».
Mónica Sofia Lopes
































