«Esta floresta faz bem às pessoas». A declaração foi feita por Gonçalo Breda Marques, presidente do conselho diretivo da Fundação Mata do Bussaco, que resumiu desta forma uma nova etapa da Mata Nacional do Bussaco, oficialmente certificada, ontem, como Floresta Terapêutica, a primeira da Península Ibérica e uma das quatro únicas existentes em todo o mundo, existindo na Áustria e na Alemanha.
Silêncio, respirar e tocar na natureza é o que o novo «trilho» do Bussaco, com cerca de dois quilómetros, apela aos visitantes que se faça, sob o mote das suas «propriedades botânicas, paisagísticas e culturais únicas que fazem dela um local excecional e ideal para a prática ancestral da Terapia de Floresta, que oferece comprovados benefícios para o bem-estar físico e mental». No fundo, o que esta certificação envolve são «atividades de imersão na natureza que estimulam os sentidos, promovem o relaxamento e reduzem os níveis de stress, contribuindo para a redução da pressão arterial e o fortalecimento do sistema imunitário», posicionando a Mata na vanguarda do turismo de saúde e bem-estar, enquanto promove a valorização sustentável dos recursos naturais, como o da Água de Luso.
«Procuramos destinos exóticos para descansar e terapias que nos deem o equilíbrio, mas esquecemo-nos de olhar para aquilo que sempre esteve aqui. A Mata do Bussaco é exemplo disso», declarou Gonçalo Breda Marques, acrescentando que «até aqui olhávamos para esta Mata para a preservar, hoje olhamos e sabemos que “caminhar nela faz bem às pessoas”».
«Há 400 anos os Carmelitas Descalços procuraram um espaço para a contemplação, o silêncio e estar consigo próprio, numa altura em que não se falava de saúde mental. Esta certificação é uma homenagem à visão daqueles homens quatro séculos depois», referiu o presidente da Fundação Bussaco, declarando ainda que «esta floresta nos convida a abrandar, lembra que o essencial já está connosco e que os melhores respostas têm raízes e fazem sombra» «A Fundação da Mata do Bussaco quer dar a este património uma nova missão, um lugar onde as pessoas encontrem tempo e saúde», enalteceu.
Para o presidente da Câmara da Mealhada, António Jorge Franco, «este é mais um passo que este lugar único dá na sua história». «A natureza sempre teve lugar para cuidar das pessoas e a Mata do Bussaco já era um destino de excelência. Hoje recebe um selo por isso», continuou o edil, congratulando o trabalho de Lurdes Craveiro e Carlos Fonseca, «os criadores e responsáveis pelo desenvolvimento do caderno de encargos do processo, durante quatro anos».
Miguel Vasco, da Destinature – Agência para o Desenvolvimento do Turismo de Natureza, relembrou que a cerimónia de certificação «é o início de um grande desafio». «Agora tem que ser feito um trabalho coletivo com profissionais de saúde e ter a capacidade de realizar programas regulares, onde se junte a natureza, a saúde, a qualidade de vida e a ciência. O próprio silêncio pode ser usado de forma terapêutica». «Aqui sabemos que podemos recuperar o sistema nervoso em minutos e ter um detox digital».
«Esta Mata é um dos orgulhos de Portugal e hoje falamos de floresta pela positiva, iniciando aqui uma nova abordagem, que permite baixar o cortisol salivar e as hormonas do stress», disse o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, enaltecendo «o potencial da Mata com a sua biodervisidade, história e identidade».
O Certificado Internacional de Floresta Terapêutica, válido até 17 de julho de 2031, foi entregue por Stefanie Frech, coordenadora do Gabinete Internacional de Certificação de Florestas Terapêuticas.
Mónica Sofia Lopes

























