É natural da Mealhada, tem 45 anos e até aos 39 fez da vida uma peça de música, de dança e teatro e ainda se dedicou ao percurso académico, o que se repercutiu numa carreira profissional de sucesso. Há menos de uma década, com o convite para ser padrinho da sua sobrinha, Ruben Cunha envolveu-se nas atividades da Paróquia São João Baptista, em Coimbra, e aos 39 anos tomou a maior decisão da vida ao ingressar no Seminário.
É «um filho da Mealhada», onde viveu até aos 30 anos. Desta terra guarda a infância, a juventude, todo o percurso escolar, até ingressar na faculdade, e muitas das atividades lúdicas que teve ao longo da vida, nomeadamente, no Grupo Coral Magister; no Grupo Coral Columba, que acompanhou ao piano; deu início às danças latinas até ir para Aveiro; participou na Oficina de Teatro do Cértima; e, em Coimbra, no Gospel Choir.
Na Universidade de Coimbra tirou Geologia que o levou, durante alguns anos, a trabalhar na área da qualidade num laboratório. Em simultâneo frequentou uma pós-graduação em segurança e saúde no trabalho, tendo-se tornado coordenador a nível nacional nesta área. Ainda frequentou uma licenciatura em engenharia civil, mas a vida «muito corrida» obrigou-o a suspender o curso.
Não tinha ainda chegado aos 40 anos, quando a irmã o convida para ser padrinho da sua filha. «Eu estava afastado da Igreja e quando a minha irmã me fez o convite procurei um caminho para realizar este desejo numa Paróquia de Coimbra, cidade onde residia na altura. A partir desse momento comecei a fazer parte das atividades da Igreja, numa altura em que já vinha a fazer algumas interrogações sobre o sentido da vida e qual a missão de cada um», contou-nos o padre Ruben Cunha, minutos antes de presidir à missa na Igreja de Casal Comba, concelho da Mealhada, onde foi batizado aos três meses.
«A entrega a Deus e a vontade de uma missão ao serviço dos outros levou-me por este caminho», confessa o sacerdote, ordenado em Coimbra no passado dia 28 de junho, e que antes de ingressar no Seminário no Porto, passou pelo chamado período de discernimento. «Vivia sozinho, tinha o meu espaço, um trabalho de que gostava e, ao nível da carreira, estava muito bem na vida, mas no período de discernimento, onde tive a liberdade interior de pensar aquilo que pesava mais, não houve dúvidas para o que verdadeiramente queria», explica o padre Ruben Cunha, garantindo, contudo, que o processo não fica fechado durante os seis anos de seminário: «O discernimento continua sabendo à partida que também temos a liberdade de escolher sair se for essa a vontade».
Não foi o que aconteceu a Ruben Cunha que, ao longo deste percurso, que culminou com o Mestrado em Teologia, poucas vezes teve dúvidas do caminho a seguir. «Os últimos anos foram semelhantes a tudo aquilo que nos acontece na vida, houve altos, mas também baixos. Contudo, é nestes momentos que amadurecemos as ideias, ajudados pelas orações e leituras espirituais, mas também pelos amigos e família», desvenda, ao nosso jornal, garantindo que «o Caminho de Cristo é algo que nos transcende, sente-se e chama-nos».
No passado dia 4 de julho, no mês em que comemora 46 anos, o Padre Ruben Cunha presidiu à sua primeira eucaristia, na Igreja Paroquial da Mealhada, o seu concelho de origem; e no dia seguinte, o mesmo se repetiu em Tábua, local onde esteve desde outubro para a parte prática do seu mestrado. «Foram dias muitos felizes precisamente por estarmos juntos e pelo carinho destas comunidades pastorais que fizeram questão de preparar tudo», congratula o padre Ruben Cunha, que agora aguarda pelo anúncio da Diocese de Coimbra para saber que caminho ou que paróquia o esperará. «Acima de tudo quero ser alguém que acompanha as pessoas e as ajuda a conhecer Cristo e a alimentar essa relação», disse-nos.
Mónica Sofia Lopes


























