Os moradores da Rua de Santo António (perto do Parque da Cidade), na Mealhada, estão em protesto pela morosidade da obra naquela via, que decorre há cerca de dois anos. Um dos residentes manifestou-se na última reunião do executivo falando nos incómodos que tem trazido para pessoas, animais e habitações, tendo sido corroborado por um outro habitante, através de um email remetido à Autarquia e ao seu setor de Obras. O presidente da Câmara fala em «vários constrangimentos, nomeadamente em situações complexas e jurídicas», garantindo, contudo, que «a pavimentação será feita ainda esta semana».

«Manifesto o mais profundo descontentamento, indignação e censura relativamente à forma como estão a ser conduzidas as obras na Rua de Santo António. Aquilo que deveria ser uma intervenção de melhoria acumula mais de um ano de atraso em relação ao prazo inicial de conclusão», lê-se no email dirigido ao presidente da Câmara da Mealhada e à secção de Obras do Município. «Nas últimas semanas, assistimos a uma situação incompreensível: após terem destruído os passeios, há dois anos, e recentemente terem  reconstruído a área de estacionamento, os operários estão agora, sem qualquer justificação pública, a destruir o que acabou de ser feito», justifica este morador, que afirma que «os prejuízos causados aos residentes desta zona da cidade — pelo pó e ruído incessantes e pela degradação dos bens patrimoniais e da qualidade de vida — já ultrapassaram todos os limites do aceitável».

Declarações idênticas tem João Soares, que se dirigiu aos Paços do Município na última reunião pública do executivo, questionando o atraso da obra, «que teve início em setembro de 2024 com um prazo de execução de um ano». «Os residentes daquela rua têm sido sujeitos à degradação da sua qualidade de vida, bem como das suas habitações e animais», lamentou o morador, questionando se está previsto algum mecanismo de compensação para os residentes da respetiva rua.

António Jorge Franco, presidente da Autarquia da Mealhada, justificou «o prazo dilatado» com «vários constrangimentos, nomeadamente de situações complexas e jurídicas», avançando, contudo, que, na manhã desta terça-feira, tinha estado no local e que «a pavimentação será feita esta semana». «É um grande incómodo. Ainda hoje lá passei, porque na semana passada tivemos aqui uma reunião dura, e o meu carro está cheio de pó, por isso, entendo bem os moradores e os constrangimentos que sentem», acrescentou o autarca, afirmando que «não estão previstos mecanismos de compensação» e recordando que quando chegou à Câmara «esta era uma obra solicitada há cerca de nove anos, dado o estado de degradação da via».

João Soares pediu ainda «uma clarificação cabal sobre um aviário de exploração», instalado nas proximidades da mesma rua, que provoca «efeitos gravíssimos na qualidade de vida dos residentes, devido aos maus cheiros e infestação de moscas, que privam os moradores de estarem no exterior das suas próprias habitações». «Essa exploração está licenciada e cumpre com todos os requisitos para laboração?», quis saber. Questão que levou o presidente da Autarquia a avançar que «já houve vistorias por parte de várias entidades» e que agora «é preciso serem analisadas e tomadas decisões», garantindo que este espaço de laboração «está licenciado».

 

Mónica Sofia Lopes