«Honra e Glória aos Bombeiros da Pampilhosa. Honra e Glória aos Bombeiros de Portugal» foram as palavras que mais se ouviram na cerimónia do centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, no concelho da Mealhada. O dia ficou marcado pela inauguração de três novas viaturas e pelo apelo direcionado ao Ministro da Administração Interna para que a reforma administrativa da ANEPC possa manter o concelho mealhadense, nesta matéria, sob tutela da sub-região de Coimbra. Ao nosso jornal, Luís Neves não fecha a porta «à reflexão», defendendo, contudo, que «o país é só um e está encaminhado para um determinado modelo».
A reforma administrativa que dita o regresso ao modelo dos 18 comandos distritais da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil encontra-se na fase final e reverterá o modelo, implementado em 2023, que deu lugar a 24 comandos sub-regionais baseados nas Comunidades Intermunicipais. As duas corporações da Mealhada estão na Sub-Região de Coimbra e assim querem permanecer, uma vontade apoiada pelo poder local, com o presidente da Autarquia a defender «estar do lado da vontade dos bombeiros».
«As exigências mudaram muito ao longo dos últimos cem anos e o futuro traz novas responsabilidades», referiu João Pedro Marques, comandante dos Bombeiros da Pampilhosa, exemplificando que «a construção da plataforma rodoferroviária trará novas exigências à nossa corporação, com mais movimento no que toca ao trânsito e à passagem de diferentes tipos de materiais». Para o comandante da Pampilhosa, «a prioridade são sempre as pessoas», mas alertando que «o quartel precisa de uma intervenção profunda».
«Dizem que “chegar aos cem anos é obra” e esta é feita de muita coragem e sacrifício», começou por dizer António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, acrescentando que «ser bombeiro é estar disponível, adiar planos e sair de casa sem saber quando se regressa» e desejando que «no final de cada saída possam regressar em segurança porque há sempre alguém à vossa espera. Dirigindo-se ao Ministro da Administração Interna, o autarca mostrou-se preocupado com a reforma prevista no que toca à proteção civil: «A CIM da Região Metropolitana de Coimbra tem reforçado os meios disponíveis às corporações, num investimento que se traduz numa maior segurança para as populações». «Alterar estruturas consolidadas pode colocar em risco todo o trabalho feito até aqui. Preocupa-nos muito a transformação que esta reorganização poderá trazer e não há razão operacional que o justifique», enfatizou o edil, defendendo que «continuarmos na região de Coimbra é assegurar o melhor para as populações».
No seu discurso, Luís Neves referiu «estar muito ciente da importância dos corpos de bombeiros, a espinha dorsal da proteção civil e que não está só disponível no verão, por altura dos incêndios. Sem vós não há proteção, nem socorro e é a vossa farda que carrega a calma e tranquilidade em situações de emergência». Sobre a reorganização da ANPC, o Ministro da Administração Interna recordou o périplo que fez por todo o país, «para ouvir e estar perto de todos os agentes, até porque a preparação do combate aos incêndios não se faz em Lisboa, faz-se em todo o território porque são vocês que o conhecem». À margem do evento, ao nosso jornal, admitiu que «há espaço para o diálogo, mas que o país é um só e está encaminhado para um determinado modelo».
Durante a cerimónia, a corporação da Pampilhosa recebeu a Fénix de Honra da Liga dos Bombeiros Portugueses, a Medalha de Mérito Proteção e Socorro Grau Ouro e Distintivo Azul do Ministério da Administração Interna e ainda uma medalha comemorativa da Câmara da Mealhada. Houve ainda entrega de medalhas de altruísmo pelos 30 anos de serviço e crachás de ouro a alguns bombeiros da corporação da Pampilhosa.
Luís Neves assevera valorização da carreira dos bombeiros e mais 50 EIP
O Ministro da Administração Interna enfatizou o périplo que fez por dezoito distritos, afirmando que as preocupações que registou, nos corpos de bombeiros, são transversais, exemplificando com «o aumento dos combustíveis, a necessidade da valorização da carreira dos bombeiros e a degradação dos equipamentos».
O representante do Governo afirmou estar em curso «o trabalho que equipará a carreira de bombeiros à das restantes forças da proteção civil. «Mas ainda há três aspetos que temos de olhar com urgência: os estatutos da carreira, os contratos-programa e uma análise profunda ao sistema de seguros», acrescentou, garantindo que «está a ser trabalhada a criação de mais cinquenta Equipas de Intervenção Permanente até ao final do ano».
«O périplo que fizemos, permitiu-me conhecer a justeza das vossas necessidades e o que posso dizer-vos é que vamos chegar ao nosso destino. O Governo confia em vós e os portugueses sabem que enquanto houver bombeiros haverá esperança, socorro e proteção», declarou ainda, acrescentando que «em 2026, o dispositivo deixou de esperar pelo incêndio, para o ir procurar em ataque inicial. Tivemos uma taxa de sucesso de 94%, entre junho e setembro, numa primeira intervenção inicial e, até 15 de outubro, tínhamos menos 48% de área ardida do que aquela que tivemos no ano passado».
Luís Neves mostrou-se ainda preocupado com os números da sinistralidade rodoviária, avançando que está a ser trabalhado um projeto que «vai atacar a falta de civismo existente nas estradas».
Mónica Sofia Lopes





































