A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, no concelho da Mealhada, está a poucos dias de comemorar «com pompa e circunstância» o seu centenário e conta na sua história atual com mais de meia centena de operacionais e o facto peculiar de o número de bombeiras mulheres ser semelhante ao dos homens. A hora é de balanço: se por um lado há congratulação pelo serviço à comunidade nos últimos cem anos, com a satisfação de três viaturas a serem benzidas durante o fim-de-semana festivo; por outro, o futuro almeja por obras no quartel, onde já se notam infiltrações, e por um investimento nos meios tecnológicos. Há ainda o lamento sobre os recursos financeiros anuais, por parte do Estado, serem diminutos face às necessidades exigidas.
A festa do centenário ficará marcada pela bênção de três viaturas: um Veículo Florestal de Combate a Incêndios, um veículo de apoio ao comando e por uma Ambulância, que vem colmatar a falta da viatura acidentada no início do ano. É para o VFCI que as atenções se viram, um veículo novo que custou à Associação 270 mil euros, e cuja comparticipação do Estado é inferior a metade deste valor. «Antigamente o apoio era de 85%, mas com a integração no dispositivo da proteção civil da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, essa percentagem tem que ser repartida pelas duas corporações do concelho e só não é por três porque a Câmara da Mealhada abdicou da sua parte», explica João Pedro Marques, comandante dos Bombeiros da Pampilhosa, defendendo que «no fundo, esta viatura está ao serviço do Estado, se tivermos em conta que, só neste verão, fizemos cerca de 30 serviços de incêndios florestais, onde apenas dois foram na área da Pampilhosa e os outros dois na área da Mealhada. Todo o resto foi feito fora do concelho, portanto, torna-se num investimento de teor mais nacional do que propriamente concelhio». «O VFCI era a nossa grande preocupação este ano, pois quando vamos para os incêndios, as equipas vão mudando, mas o veículo é sempre o mesmo, sempre ali a trabalhar horas e horas, às vezes dias e dias», acrescenta ainda.
A nova ambulância, que se espera que chegue até ao fim-de-semana para ser benzida a par com os outros veículos, vem apoiar um novo serviço da corporação, um Posto de Emergência Médica, suportado pelo INEM. «Vamos ter uma verba mensal tendo em conta o cálculo dos gastos da ambulância durante seis anos», acrescenta ainda o comandante João Pedro Marques, descrevendo que «a viatura tem um custo de 73 mil euros, acrescendo o equipamento necessário, regulado em portaria, e uma equipa de emergência médica, inicialmente doze horas por dia, mas prevendo-se aumentar para 24 em janeiro». «Para a população representa mais segurança numa primeira intervenção», destaca ainda.
Com mais de meia centena de operacionais no corpo ativo e um quadro de comando composto, para além do comandante, por Miguel Marques, 2.º comandante; e Ricardo Veloso, que vai passar a adjunto do comando, a corporação tem perto de três dezenas de mulheres bombeiras. «Julgo que como tivemos uma mulher comandante (Ana Paula Ramos) durante tanto tempo, isso fez a diferença neste quartel. Aliás, fizemos há uns anos uma camarata feminina, que já está bem pequena», afirma, defendendo este número de operacionais na corporação, «uma vez que o concelho tem duas associações. Não faz sentido crescermos muito mais, mas sim complementar-nos, inclusivamente no que toca aos equipamentos», exemplificando que a Mealhada tem uma escada grande e nós uma cisterna, «que apesar de ser um veículo que está grande parte do tempo parado, tem que estar sempre em carga». «Temos de ter um corpo de bombeiros equilibrado, ágil e com um número que nos permita responder às solicitações, sempre em complementaridade com outros corpos de bombeiros», defende.
Uma aposta da Associação dos Bombeiros da Pampilhosa é a Escola de Infantes e Cadetes, criada há treze anos e que conta atualmente com 25 crianças. Três estagiários que vão agora ser promovidos a Bombeiros de 3.ª vêm desta escola e também temos três que saíram de cadetes para estagiários. «Os Bombeiros provenientes deste projeto são praticamente uma garantia de que permanecem. Muitos são filhos dos nossos bombeiros e têm o sangue a ferver», congratula também o vice-presidente da direção da Associação, falando no grande investimento que é feito em cada bombeiro: «Formação, equipamentos, capacetes, etc. Só umas botas para incêndios florestais e urbanos custam 230 euros, depois se formos por aí acima, só num bombeiro o valor ultrapassa os mil euros em equipamento».
Sobre o estado do voluntariado, o comandante João Pedro Marques descreve que este «é um tipo de voluntariado exigente e com uma obrigatoriedade. Os meus bombeiros voluntários, por exemplo, têm que cá dormir três noites por mês, o que não é fácil quando se tem família. Depois há as instruções, os serviços que se têm que fazer e todas as obrigações». «Por outro lado, as empresas de hoje, com equipas reduzidas, não podem fechar as portas para que um bombeiro possa sair quando é necessário, principalmente na altura dos incêndios. Julgo que no futuro isto possa ser contornado, em alturas de alerta, com trabalho remoto, o que já aconteceu aqui, principalmente com funcionários municipais», diz, destacando, contudo, que quem permanece neste serviço de voluntariado à comunidade «é verdadeiramente por paixão».
Intervenção no quartel será próxima prioridade
As instalações do quartel, uma obra com cerca de trinta anos, «tem necessidade premente de intervenção, de obras, uma vez que até já a água entra cá dentro», lamenta Fernando Fidalgo, vice-presidente da direção dos Bombeiros da Pampilhosa.
Palavras corroboradas pelo comandante João Pedro Marques que enaltece o esforço da direção «em colocar painéis fotovoltaicos, recentemente», mas explicando que «no fundo, estamos a investir em cima de algo que precisa de obras». «O VFCI foi a grande prioridade, neste momento, mas num futuro próximo terá que haver investimento em obras no quartel, que se estima que rondem os 200 mil euros».
Para além disso, o comandante da corporação diz haver também a necessidade «de se modernizar um bocadinho a sala operacional e apostar na tecnicidade no quartel, nos meios tecnológicos, para além de se “lavar” as paredes e tirar as infiltrações».
Desfile do centenário será a grande atração no domingo
O centenário, cuja data oficial foi a 29 de agosto, será comemorado no próximo fim-de-semana com atividades programadas para os dias 17 e 18 de outubro. Domingo será o dia das grandes comemorações e, ao que tudo indica, contará com a presença do Ministro da Administração Interna, Luís Neves.
No sábado, 17 de outubro, haverá passeios com as crianças de três freguesias do concelho da Mealhada, que serão desafiadas a participar através das escolas. Em Barcouço e Casal Comba o desfile das viaturas da corporação acontece a partir das 10h30; na Pampilhosa tem início às 14h30.
No domingo, a comemoração começa com o hastear das bandeiras pelas 8h30; seguindo-se a missa comemorativa do centenário na Igreja Paroquial da Pampilhosa, acompanhada pela Fanfarra de Cantanhede. No final, haverá a bênção do Veículo Florestal de Combate a Incêndios, do Veículo de Apoio às Operações e, possivelmente, da nova ambulância.
Pelas 11h00, dar-se-á a formatura do corpo de bombeiros com entrega de medalhas e distinções.
Depois do almoço de confraternização, a formatura geral está prevista pelas 15h00, com a sessão solene comemorativa e entrega de distinções honoríficas a ter início meia hora depois. Neste momento, a Liga dos Bombeiros de Portugal entrega a medalha «Fénix de Honra» à corporação da Pampilhosa e esta, por sua vez, entregará crachás de ouro a três bombeiros e medalhas aos bombeiros que tenham atingido 30 anos ao serviço da corporação.
Pelas 17h00 decorrerá o desfile apeado e motorizado de todas as corporações presentes, que obrigará a alguns cortes de trânsito e condicionamentos na vila, essencialmente na zona circundante ao quartel. O desfile terá dois blocos: o primeiro com estandartes das Federações dos Bombeiros dos Distritos de Coimbra e de Aveiro; depois os elementos apeados de todas as corporações convidadas, com as respetivas viaturas.
Segue-se o estandarte da corporação da Pampilhosa com os seus elementos, seguindo-se o quadro ativo e o de honra, que não tem funções operacionais, «mas é de grande importância nestas associações», destaca o comandante João Pedro Marques.
O desfile conta ainda com operacionais da Pampilhosa fardados com os Equipamentos de Proteção Individual de fogos urbanos, fogos florestais, emergência médica e os de grande ângulo (salvamento), seguindo-se as crianças da Escola de Infantes e Cadetes e as duas dezenas de viaturas da corporação pampilhosense.
Órgãos sociais no mandato de 2025 a 2027
DIREÇÃO
Presidente – Rogério Silva
Vice-presidentes – Fernando Fidalgo e José da Torre
Tesoureiro – José Duarte
Secretário – Artur Gomes
Secretário-adjunto – Armando de Melo
Vogal – Jorge Lopes
Suplentes – Raul da Silva e José Moreira
ASSEMBLEIA-GERAL
Presidente – Guilherme Duarte
Vice-presidente – António das Neves
Secretário – Décio Santos
Suplentes – Armindo Lopes e Marco Martins
CONSELHO FISCAL
Presidente – Joana Pereira
Vice-presidente – Óscar Farias
Secretário relator – Mário dos Santos
Suplente – José Lopes
Textos de Mónica Sofia Lopes
Fotografais com Direitos Reservados


























