«A DGARTES tem esta responsabilidade de pedir estudos sobre tudo aquilo que implica a política pública das artes. A ideia é estudar tudo, discutir esses estudos e depois decidir os caminhos a seguir». As palavras de Américo Rodrigues, Diretor-Geral das Artes, pode eventualmente ser uma orientação das conclusões do Estudo de Impacto da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, desenvolvido por Filipe Teles e Mónica Borges, através da Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas da Universidade de Aveiro. A análise foi apresentada, ontem, no Cineteatro Messias, na Mealhada, aquando da segunda assembleia da referida Rede.
«O que a Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses pode aprender com este estudo para o trabalho futuro?». Para Filipe Teles são seis os tópicos essenciais: «Uma coordenação permanente e governação participada, onde se incide a explicação pública dos contributos recebidos e das decisões tomadas. Quanto mais claro for para nós, cidadãos, quais as vantagens e de que forma o dinheiro público é investido, tanto melhor para a transparência da própria Rede».
Segue-se a «informação útil para avaliar e aprender, com as evidências»; «os apoios proporcionais às condições de partida», onde se tem em conta «os credenciados sem apoio¸ os contextos territoriais, a qualificação progressiva e a diversidade artística»; e ainda «a mediação cultural e relação com os públicos, com a ideia preliminar de partilha de recursos, formação e capacidade de trabalho». Por último, «equipas capazes de sustentar a programação»: «Não há capacidade de responder aos objetivos se não houver equipas para isso», referiu ainda Filipe Teles, garantindo que o estudo «devolve mais trabalho aos equipamentos e aos programadores do que propriamente à DGARTES».
Mónica Borges acrescentou ainda que «deve haver informação mais sistematizada» e que a relação da RTCP com outras redes «não está estudada porque não há informação disponível». «A política cultural não tem tradição de integração com outras redes e áreas, como a educação ou o social, por exemplo», enfatizou, explicando, contudo, que no que toca à avaliação «alguns desses instrumentos já existem quando olhamos para o processo de candidatura e relatórios anuais dos equipamentos».
Palavras corroboradas por Filipe Teles, já no período de discussão com os programadores, que defendeu que «monitorizar e coletar a informação é útil, para que possa ser comparada inclusivamente a nível nacional. Se houver um conjunto de equipamentos que definem critérios, ganhamos todos, porque será uma informação útil para a Rede à escala nacional».
A tónica da necessidade de informação compilada é corroborada pelo Diretor-Geral das Artes. «A DGARTES tem esta responsabilidade de encomendar estudos, com a ideia de os discutir e decidir, posteriormente, os aspetos a serem melhorados. Não podemos fazer é tudo ao mesmo tempo», referiu Américo Rodrigues, afirmando que «a articulação entre redes já começou na DGARTES com a realização do Encontro Inter-Redes. A ideia é conseguir articular os Museus com as Bibliotecas e as Bibliotecas com o Teatro. Parece algo de constatação imediata, mas a verdade é que não se faz este trabalho em rede».
No final, Filipe Teles deixou ainda em cima da mesa a questão: «Quantos municípios têm planos estratégicos para a cultura?». «Se houver um estudo, se calhar vamos ficar todos um bocadinho tristes», disse, enfatizando que «os equipamentos culturais não vão mudar o mundo, mas não existindo, esse trabalho será ainda mais difícil».
Mónica Sofia Lopes
























