O executivo camarário da Mealhada tomou conhecimento, na reunião quinzenal, que a Autarquia lançou um concurso público para a recuperação de 62,35 quilómetros dos caminhos florestais do concelho danificados pelas intempéries, com enfoque para a tempestade Kristin, numa intervenção com um preço base de 135.500 euros, valor acrescido de IVA.

A intervenção «Beneficiação da Rede Viária Florestal – 2026 no concelho da Mealhada – Kristin» será candidata ao Fundo de Emergência Municipal, criado para apoiar a reparação e reposição de infraestruturas públicas afetadas pelos fenómenos meteorológicos excecionais ocorridos este ano. «Lançamos o concurso que veio deserto e agora voltamos a repeti-lo novamente, mas com um valor mais alto», explicou António Jorge Franco, presidente do Município da Mealhada, informando que os locais de intervenção surgem «de um trabalho de análise que envolveu os presidentes de Junta, as corporações de bombeiros do concelho e o Serviço Municipal de Proteção Civil».

O lançamento do concurso público permitirá, segundo um comunicado de imprensa «repor acessos importantes às zonas florestais, nomeadamente para ações de vigilância, deteção e fiscalização e para a circulação dos meios de resposta em caso de incêndios rurais». Para Claudemiro Semedo, vereador eleito pelo Partido Socialista, «é de salutar esta iniciativa», uma vez que, no passado, «as Juntas de Freguesia gastavam muito dinheiro nos caminhos vicinais. Na freguesia de Luso, quando era presidente, estamos a falar de cerca de cinco, seis mil euros todos os anos».

Da bancada da oposição, João Cidra Duarte voltou a sugerir que seja criado um regulamento, defendendo que «os madeireiros entram nos terrenos, destroem e depois não querem saber de mais nada. E esse “não querem saber” é o que fica muito caro às Juntas de Freguesia».

O presidente da Câmara da Mealhada corroborou, afirmando que «um regulamento criará a obrigatoriedade de virem à Câmara tirar uma licença, mas terá que ser pedido apoio à GNR para conseguirmos garantir que não há efetivamente destruição. O regulamento vai ajudar a controlar». «Os madeireiros têm de ter esta sensibilidade de arranjar o que estragam, até porque têm máquinas para isso», acrescentou.

João Cidra Duarte defendeu ainda que «uma caução pode ser uma forma e uma solução para o problema».

Na mesma reunião foram aprovadas, por maioria, duas ações de arborização e rearborização no concelho da Mealhada, com a abstenção de António Jorge Franco que não concorda que a reflorestação seja feita através da plantação de eucaliptos.

 

Mónica Sofia Lopes