Carlos André Rodrigues de Melo, autor de «Casas de Veraneio do Luso e Bussaco – Memórias Burguesas de um Património Arquitetónico», foi o vencedor da segunda edição do Prémio para a Historiografia Local Adelino Melo, promovido pelo Município da Mealhada. A cerimónia de divulgação do vencedor – que contou também com a participação de António Ramos com «As Três Portas do Tempo: Pó, Poder e Silêncio na Construção da Mealhada» e de Jorge Martins com «Lugares que contam: a última viagem de Agatha Christie ao Bussaco» – aconteceu, na noite da passada sexta-feira, no Arquivo Municipal da Mealhada, precisamente no dia dos 190 anos do concelho da Mealhada. A apresentação da obra, já editada, acontecerá durante o Festival Literário da Mealhada.

A obra vencedora partiu de uma tese de Mestrado em Arquitetura, que o autor, de 41 anos, natural de Luso, apresentou na Covilhã. «O Luso foi o sítio onde cresci e o tema desta obra foi sobre uma identidade que me foi sempre muito transmitida», declarou, ao nosso jornal, Carlos de Melo, explicando que «esta inventário era algo que estava por fazer». «Quando peguei nisto imaginava que estava a plantar uma semente sobre um património arquitetónico, existente numa vila pequenina, que ainda tem algumas coisas para salvar. Por outro lado, considero que era preciso divulgar este tema e dar o meu contributo à minha terra», disse ainda, afirmando que «o documento atual é pesado e pode ser editado de forma mais leve, arrumado de uma outra maneira, para chegar a mais público».

Com este primeiro prémio, o vencedor arrecada um valor monetário de dois mil euros e vê a obra publicada numa tiragem até 500 exemplares, integralmente suportada pelo Município, sendo que, durante a cerimónia, o representante do conselho de administração de uma instituição bancária mostrou-se disponível para que fosse esta entidade a financiar o livro.

O júri foi constituído por Francisco Pato Macedo, Professor aposentado na Universidade de Letras de Coimbra; José Machado Lopes, autor de diversas monografias locais e regionais e fundador da revista «Pampilhosa, Uma Terra e Um Povo»; e José João Lucas, antigo professor do 2.º Ciclo e dinamizador de geminações com municípios franceses. «Promoção do património, originalidade, rigor historiográfico, qualidade da escrita e potencial de publicação» foram algumas das premissas da grelha de avaliação dos elementos do júri. «Os contributos que os concorrentes deram são de grande relevância e mantêm vivas as histórias que moldam quem somos hoje», referiu o Professor Francisco Pato Macedo, apelando a que «continuem a pesquisar, a investigar e a escrever».

Sobre o trabalho vencedor, o presidente do júri explicou estar em causa «a investigação sobre quinze edifícios na vila de Luso, um conjunto patrimonial nunca antes abordado e que foi feito de forma rigorosa». «A riqueza do trabalho, as fontes primárias inéditas, o acesso exclusivo a espólio de arquivos privados e a estrutura de forma lógica foram determinantes para valorizar um património edificado de grande relevância e que honra a distinção do patrono deste Prémio», rematou, recordando Adelino Melo, nascido em 1879 na Vacariça e um dos pioneiros da investigação histórica local e figura de referência da imprensa regional.

Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia, agradeceu a disponibilidade do júri, «que nos deixa muito descansados com a vossa análise, e a participação dos concorrentes. «A nossa história é que faz o nosso concelho, por isso, este é um momento muito nobre para nós», enfatizou, admitindo que a obra vencedora «possa ser um elo de ligação e uma ponte, ao que podemos fazer em termos práticos junto dos proprietários. Este trabalho facilita-nos a vida».

 

Mónica Sofia Lopes