O projeto de requalificação da Quinta do Alberto e sua envolvência, no centro da vila de Luso, foi apresentado em sessão pública. A obra será dividida em duas fases, sendo que a primeira voltará a concurso público, depois de ter ficado deserto, num investimento de 1,9 milhões de euros e que se prevê que possa estar pronta em 2027. A maior preocupação manifestada pelo público, durante a sessão, prendeu-se com a deslocalização de lugares de estacionamento, situação que o Município da Mealhada defende estar colmatada com lugares disponíveis, mas limitados por tempo, no epicentro da vila, entre as duas rotundas.
Entre as principais intervenções previstas destacam-se a criação de um novo parque de estacionamento, a reorganização viária – incidindo as Ruas do Forno e a Dr. Francisco Diniz – e criação de zonas pedonais, valorização paisagística da encosta, instalação de uma queda de água e elementos cénicos na encosta a noroeste da Quinta do Alberto, construção de um elevador panorâmico e criação de zonas de lazer com mobiliário urbano, miradouro e um espaço de cafetaria. A empreitada privilegiará a mobilidade pedonal e a criação de novos espaços de fruição pública. Na segunda fase, a aposta será para a criação de um parque verde com várias espécies autóctones.
«O objetivo deste projeto é tornar viva a ideia de que as praças e centros urbanos são para todos e que as pessoas tenham prioridade perante o automóvel», começou por dizer António Jorge Franco, presidente da Autarquia da Mealhada, afirmando que «o Luso é uma zona turística que deve ser percorrida a pé, até porque é literalmente “uma vila dos cinco minutos”. Temos um parque de estacionamento à entrada que deve ser utilizado, inclusivamente pelos autocarros. Por sabermos que não é suficiente, temos prevista a construção de um outro na Rua do Forno, no chamado “Sobe e Desce”». Este estacionamento funcionará, aliás, durante o período da realização da obra, «altura em que se prevê obviamente alguns constrangimentos na vila», alertou o autarca.
Sobre a queda de água, um dos hoteleiros presentes quis saber se a qualidade dessa água estará assegurada, «para que o nosso maior bem não sofra qualquer tipo de má reputação». António Jorge Franco declarou «que terá que haver garantias de que aquela água é potável e que cumpre todos os requisitos, para que não haja qualquer tipo de problemas».
O morro terá três tipos de acesso: elevador; através de uma escadaria; e ainda um terceiro acesso destinado a viaturas de emergência e de apoio à limpeza. João Silva, deputado municipal, referiu que «em altitude, da Rua do Mercado até ao estacionamento do Forno, são 23 metros, o que representa um prédio de oito andares», defendendo que «os estacionamentos, que hoje existem entre as duas rotundas no centro da vila, são muito importantes para aquelas pessoas que usufruem dos comércios da vila. Aquela rua é larga o suficiente para se poder deixar aqueles lugares». «As pessoas de Luso e que vivem cá é que vão ser as mais prejudicadas e penalizadas», referiu.
O presidente da Autarquia explicou que esses atuais lugares não serão eliminados, mas limitados a um determinado tempo de estacionamento, de dez a quinze minutos, «garantindo assim o acesso à fonte, à farmácia, à loja e ao café». «A GNR terá que controlar isso e, mesmo não sendo o nosso objetivo, até poderão vir a ser colocados parquímetros para haver um controlo. Há um limite de tempo, as pessoas têm que ser responsáveis», enfatizou.
Sobre a eliminação dos lugares da devoluta TuriLuso, João Leite, presidente da Junta de Luso, afirmou que «a população idosa é ainda quem sustenta o comércio local. Não estou a ver estas pessoas a irem desde o Mercado até ao “Sobe e Desce”. Aqueles doze lugares possivelmente farão mesmo muita falta».
Mónica Sofia Lopes























