José Cid será uma das figuras homenageadas no Fórum «Vê Portugal», iniciativa do Turismo Centro de Portugal, que em 2021 se realizará nas Caldas da Rainha, já no próximo mês de maio. A novidade foi dada ontem, por Pedro Machado, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, aquando de uma homenagem que a Câmara Municipal prestou ao músico, através da exposição «José Cid – Vida & Obra».

«Anadia tem um património que deve ombrear e que todos queremos continuar a promover», começou por dizer o presidente do Turismo Centro de Portugal, referindo-se a José Cid. «Fico muito grato pelo percurso que tem e posso divulgar-vos publicamente que será um dos homenageados do Fórum “Ver Portugal”. Obrigado pelo que já fez, mas um muito obrigado pelo que ainda vai fazer pela música e pela cultura», enalteceu Pedro Machado.

A exposição temporária «José Cid – Vida & Obra» está patente, até ao próximo mês de setembro, no Museu do Vinho Bairrada. Uma mostra que, segundo Pedro Dias, coordenador do espaço, «só foi possível de implementar, com o apoio e acompanhamento constante da esposa de José Cid, Gabriela Carrascalão, que foi sempre prestável e colaborante; assim como do anadiense e colecionador discográfico dr.º João Pedro Rocha, que nos ajudou imenso na tarefa de reunir e expor a vasta discografia. É um verdadeiro fã de José Cid».

Para o Município de Anadia, nas palavras de Teresa Cardoso, «é um orgulho enorme estar a prestar esta homenagem ao embaixador do concelho, da região e de todo o país». «É um artista transversal a todas as gerações e só me custa não ver esta casa cheia. Apesar disso, estamos aqui de corpo e alma», referiu a autarca, sublinhando ter sido em Anadia que o músico «encontrou a irreverência da sua juventude e onde lutou por aquilo que mais gostava». «Espero que em pouco tempo possamos ter uma praça cheia com José Cid a cantar», concluiu.

Um desejo manifestado pelo músico, que, ontem, garantiu que a pandemia lhe trouxe um álbum de rock sinfónico com 19 temas. «Gravei e escrevi muita coisa», disse o músico, agradecendo à Câmara de Anadia «o grande apoio» que sempre lhe dá. «Aqui, tudo começa em Mogofores com onze anos», recorda, continuando: «Os meus pais viviam na Chamusca e eu tinha sido exilado para um colégio da elite social em Santo Tirso, onde era o pior a Matemática e o melhor em pintura e canto coral».

Dali, José Cid segue para o Colégio Nacional em Anadia. «Tinha 11 anos e era um ingénuo», lembra o músico, recordando um espetáculo no «velho Teatro de Anadia»: «Teve um êxito tão grande! Foi rir a “bandeiras despregadas”». Aos 16 anos, no final dos anos 50, o músico sai de Anadia para Coimbra, mas garante que nunca deixou de estar no município anadiense. «A minha obra e presença vai ser sempre um sim em Anadia», garantiu, enfatizando que foi naquele concelho da Bairrada que casou. «Eu e a Gabriela, a quem agradeço a ajuda nesta vossa ideia, já vivemos aqui (Mogofores) há uns dez anos», referiu o músico, que terminou a sua intervenção pedindo «uma salva de palmas» à sua irmã – Maria de São João – falecida há um mês. «Foi uma pessoa que sempre me defendeu dos meus pais e sempre acreditou em mim», concluiu.

Na abertura oficial da exposição, através de vídeo, muitos foram os nomes do panorama nacional que deixaram uma mensagem a José Cid, entre eles, Júlio Isidro que vincou o facto do músico «ser o melhor compositor dos últimos 50 anos»: «Cantas para todos. Avós, filhos, netos…». Também Tozé Brito elogiou: «É um cantor único neste país e das pessoas mais generosas e bonitas que conheço».

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de José Moura, em https://www.facebook.com/bairradainformacao