Os deputados municipais de Anadia aprovaram, por maioria, uma alteração orçamental modificativa ao Orçamento do Município de Anadia, para 2026/2030, e uma das principais razões prende-se com a entrada de 538 mil euros referente «a um adiantamento que o Governo fez pelos estragos da tempestade Kristin», referiu Jorge Sampaio, presidente da Autarquia, recordando que «valeu a pena a luta para que a Anadia entrasse na lista dos concelhos em estado de calamidade».

O município de Anadia, recorde-se, teve prejuízos que totalizaram cinco milhões de euros, entre danos públicos e privados. Segundo um comunicado de imprensa, em abril deste ano, só «na rede viária, taludes, muros de suporte, escolas, equipamentos desportivos e culturais», os danos foram em dois milhões e oitocentos mil euros; «nas margens dos rios ficaram erosões severas, arrastamento de terras, destruição de taludes naturais e instabilização de margens em vários troços dos cursos de água, que atravessam o concelho, em prejuízos que ficaram na ordem dos 600 mil euros; e ao nível de coletividades, instituições particulares de solidariedade social e entidades religiosas o valor ronda os 235 mil euros, tendo sido reportados danos, sobretudo em coberturas, infiltrações e estruturas de apoio».

No que toca às freguesias, o total estimado – que envolve, entre outras coisas, maquinaria e viaturas – foi de 850 mil euros: Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas – 102.500 euros; Arcos e Mogofores – 132 mil 500 euros; Avelãs de Caminho – 65 mil euros; Avelãs de Cima – 53 mil euros; Moita – 50 mil euros; Sangalhos – 177 mil euros; São Lourenço do Bairro – 85 mil euros; Tamengos, Aguim e Óis do Bairro – 63 mil euros; Vila Nova de Monsarros – 50 mil euros; e Vilarinho do Bairro – 65 mil euros.

Já no âmbito das medidas de apoio aos cidadãos afetados foram submetidas e validadas trinta e sete candidaturas ao Regime Simplificado de Apoio às Habitações, destinado a intervenções rápidas até 10 mil euros, sendo que o montante global das candidaturas aprovadas ascende a 224.627,33 euros e visam «garantir a reposição mínima das condições de habitabilidade, segurança e salubridade das casas afetadas».

Foi no final de fevereiro que «o Governo reconheceu oficialmente o concelho como um dos territórios gravemente afetados pelos fenómenos meteorológicos extremos» registados nos primeiros dois meses de 2026, depois de o Município de Anadia ter enviado um ofício ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a solicitar que o concelho sofresse uma avaliação e fosse integrado na lista dos municípios em Estado de Calamidade, justificando com os inúmeros estragos que Anadia teve.

Na última assembleia municipal, Jorge Sampaio afirmou que «todas as intervenções serão acompanhadas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional».

A alteração modificativa do Orçamento deveu-se ainda a recuperação do IVA, em mais de 34 mil euros; 22 mil relativos à habitação de Ancas; e a candidatura para alteração de imagem na Loja do Cidadão, uma imposição da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, que resultou numa receita de perto de 30 mil euros, e que abrangerá modificação «de placas, imagem e balcão».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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