Luís Martelo, trompetista português, natural de Barcouço, no concelho da Mealhada, mas a residir em Inglaterra há mais de seis anos, foi, recentemente, galardoado com a Medalha de Bronze dos «Global Music Awards 2020», nos Estados Unidos da América, como o terceiro melhor instrumentista do mundo. «Este prémio é o carimbo que certifica aquilo que na verdade tenho vindo a fazer, desde sempre, à custa de trabalho e muito estudo», confessa, ao Diário de Coimbra, garantindo ser «também o culminar de um sonho, tanto meu como da minha família».

O jovem, de 31 anos, esteve nomeado nos «Global Music Awards» com o seu «show» a solo «Chorando Saudade», transmitido, inicialmente, ao vivo na internet a partir de um estúdio em Londres – que pode ser visto no Youtube pesquisando por «Luís Martelo – Chorando Saudade 3 – Full live concert» -, em duas categorias, de «melhor solista de jazz latino» e «melhor instrumentista», tendo sido premiado com bronze, como o terceiro melhor instrumentista do mundo em 2020. «Disseram-me que o prémio foi atribuído pela originalidade e por passar um pouco pelo mundo todo, Argentina, Brasil (bossa nova), Portugal (fado) e pelo «swing» dos anos 20, 30 e 40», explicou ao nosso jornal.

Em Portugal, iniciou o seu percurso na Associação Filarmónica Lyra Barcoucense 10 de Agosto (Mealhada), onde esteve dos sete aos 20 anos; tendo de 2007 a 2010, integrado a Banda Sinfónica do Exército e a Banda Militar de Évora. «Em Portugal, se fores cantor és a cara da banda, se fores músico, és mais um músico e ninguém sabe quem é que lá está», lamenta.

Há seis anos e meio quando emigrou para Inglaterra, trabalhou na restauração, na construção civil e ainda como operário numa fábrica de madeira. «Em determinada altura consegui comprar um trompete e concorri a uma orquestra de Bristol, onde fiquei», explica o jovem, que tem feito sucesso nas três «Big Bands» onde toca, explorando as raízes latinas. «As músicas são escolhidas a dedo em cada “show” que faço», confessa, garantindo que 2020 «foi o seu melhor ano de carreira de sempre». «Comecei a tocar em lares de idosos, com uma coluna livre de eletricidade que me permite estar longe deles. Toco na rua, enquanto eles estão dentro das suas casas», sublinha, desvendando que «neste momento, faço, no mínimo, de 180 a 200 libras em duas horas».

Luís Martelo tem também gravado, em estúdio, para vários artistas conhecidos e várias bandas sonoras de filmes de Hollywood, tal como a última faixa chamada «Uber Time» para o realizador Scott Fivelson dos filmes «American Reel» e «Near Myth: The Oskar Knight Story» onde participa o ator português Joaquim Almeida. Esteve nomeado para atuar e lecionar em várias masterclasses e festivais internacionais, tais como, o «VG Brass Festival», na Croácia, em junho próximo.

Na reunião camarária da Mealhada, que se realizou, na manhã desta segunda-feira, 18 de janeiro, o presidente da Autarquia garantiu ir ser enviada uma carta de felicitações ao músico. «Mal seja possível tentaremos que atue no nosso Município», sublinhou.

Recordamos os nossos leitores que o músico Luís Martelo, num registo musical diferente do atual, em 2018 foi um dos convidados do «Bairrada Informação» na Feira do Município da Mealhada.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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