O assunto não é novo, mas voltou a ser alvo de preocupação por todas as bancadas com assento na Assembleia Municipal de Anadia, que continuam a sentir, por parte do Estado, uma inércia em relação ao problema dos imóveis das antigas Escolas Básica 2,3 e Secundária que, desde 2011, estão ao abandono, apesar dos sucessivos lamentos camarários. Algum do recheio, que, na altura da mudança para os novos edifícios, permaneceu no local, à mercê do vandalismo, e as placas de fibrocimento, com amianto, nas inúmeras coberturas foram, na tarde da passada quinta-feira, 12 de novembro, temas dominantes na sessão.

Os imóveis degradados, na entrada principal da cidade de Anadia, estão sem utilização, desde que a comunidade escolar passou a ter aulas numa obra, situada no Complexo Desportivo de Anadia, em terrenos da autarquia, mas que ficou a cargo da empresa estatal Parque Escolar.

Nessa altura, o Município, liderado por Litério Marques, vinha a estabelecer diversos acordos “verbais” com o Estado, nomeadamente que os terrenos seriam permutados para o município, não havendo, contudo, nada escrito que o comprove. Em maio de 2017, a autarquia anadiense tomou conhecimento tanto dos valores da avaliação feita aos imóveis, pelo Património do Estado, como dos de um perito avaliador, a pedido do Município, e as diferenças fizeram-se sentir. Na altura, Teresa Cardoso, presidente da autarquia, garantiu que os valores sugeridos pelo Estado “eram altos e sobrevalorizavam os imóveis”, seguindo-se uma contraproposta por parte da Câmara, com valores mais baixos.

Até à passada quinta-feira, nada de novo haveria a dizer sobre o tema, a não ser o facto de o Estado, neste intervalo de mais de dois anos, ter feito uma nova avaliação dos imóveis e aparecerem, por diversas vezes, fotografias do seu interior nas redes sociais. “Lamento que a comunidade escolar tenha abandonado os edifícios sem preservar o espólio, algum dele conseguido com o apoio da Junta”, referiu Fernando Fernandes, presidente da Junta de Arcos e Mogofores.

Mas Teresa Cardoso continua sem conseguir dar respostas, lamentando que se permaneça, até hoje, “em processo de negociação”, mas também repudiando “as imensas imagens que vão aparecendo na internet”. “As pessoas deviam era preocupar-se em criar um movimento que salvaguardasse o património que está lá dentro e não irem para lá tirar fotos”, referiu a autarca, afirmando que “a Câmara até já notificou o Estado para ir limpar os terrenos envolventes ao edifício, situação que nada abona a favor da higiene e segurança da comunidade”.

Tiago Castelo Branco, do Partido Social Democrata, declarou que “não são os professores que têm que criar um movimento para salvar o património”. “O Estado não está a zelar pelo seu património, mas nós também não podemos ser tratados como alguém que viu o comboio passar”, disse.

Perante uma situação, vista com afetividade por parte de grande parte dos deputados que ali estudaram, Luís Santos, do Movimento Independente Anadia Primeiro, enfatizou o facto de, em 2011, se ter passado para as novas escolas “de qualquer maneira, havendo coisas que foram mandadas lá deixar e que depois acabaram queimadas”. “Tenho muita pena que a culpa neste país morra sempre solteira!”, afirmou.

E da mesma bancada, Rafael Timóteo afiançou estar-se perante “um problema de saúde pública” que levará “a muitos casos de cancro no concelho de Anadia”. “Por lei aquelas coberturas não podem estar assim. Terão que ser ali gastos centenas de milhares”, concluiu.

 

Mónica Sofia Lopes