A escola de samba Amigos da Tijuca, de Enxofães, que desfila no Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, comemorou os seus quinze anos de existência, com uma Gala que se realizou na noite do passado sábado. A cerimónia, que serviu também de pretexto para a apresentação do tema de 2020, bem como para a divulgação da participação do brasileiro Rogério Dorneles como mestre-sala na escola oriunda do concelho de Cantanhede, decidiu não participar no habitual concurso avaliativo de escolas no Carnaval da Mealhada.

Quinze anos de história “juntaram-se”, numa quinta no concelho de Cantanhede, para uma festa comemorativa, onde participaram cerca de cento e vinte pessoas, e que apesar de prestar homenagem a muitas situações do passado, teve os olhos postos no futuro.

“Nove e Zero – A Tijuca não esteve, mas vai lá estar” é o tema da escola para os corsos do Carnaval da Mealhada em 2020. Um reviver dos anos noventa, tendo por base “a crítica à atualidade, nomeadamente, a sua dependência aos telemóveis e redes sociais”, começou por explicar Rita Ramos, vice-presidente da direção da Tijuca, dando a conhecer os mentores e carnavalescos do enredo: Lúcia Covas, Gisela Oliveira, Gustavo de Almeida e Tomás Almeida.

Com uma nova direção, eleita em abril, a escola inicia os preparativos da próxima época carnavalesca, com a procura e pesquisa dos materiais. “Brevemente, assinaremos o protocolo com a Câmara da Mealhada e a partir daí aceleramos o ritmo do nosso trabalho”, adiantou a dirigente.

Outra das novidades para os corsos do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, em fevereiro de 2020, é um novo casal de mestre-sala e porta bandeira. Daniela Dinis, “prata da casa”, levará o estandarte da Tijuca acompanhada pelo brasileiro Rogério Dorneles, “que já desfilou por diversas escolas de samba no Carnaval do Rio Janeiro” e que, atualmente, se divide entre o Brasil e a Europa, onde ministra “workshops” de samba. Rita Ramos explicou-nos como surgiu a inusitada oportunidade, que começa com uma refeição na tasquinha que a Tijuca explorou na Expofacic. “A conversa surgiu e aquilo que ao início parecia uma brincadeira, começou a ter contornos reais e cá estamos nós a apresentá-lo”, disse, garantindo estarem “com as expectativas altas e empenhados em dar o melhor!”.

 

Escola decide não participar no concurso avaliativo

E a três meses da realização do Carnaval da Mealhada, a Tijuca tomou a decisão de em 2020 não querer participar no concurso avaliativo da prestação das escolas de samba. “Começámos a pensar nas vantagens e desvantagens e chegámos à conclusão de que o concurso não nos traz nada”, explicou a vice-presidente da escola, garantindo que “não será perdida a qualidade” em corso. “Prometemos dar o nosso melhor e respeitamos todas as restantes escolas que participarão na avaliação. Assumimos o mesmo compromisso de outros anos, só não queremos ser avaliados”, enfatiza, explicando ainda que pretendem fazer uma “introspeção”, não querendo estar preocupados com “a pressão do concurso”.

A decisão, já transmitida à Associação de Carnaval e às escolas Batuque, Imperatriz e Mangueira, não influenciará, garante a dirigente, uma possível nomeação nos Globos do Samba, um concurso nacional, no qual a Tijuca, em 2019, esteve nomeada na categoria de melhor “Comissão Frente”.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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