Vivemos numa era em que a digitalização da economia e a diluição de fronteiras por via da globalização, representam, na área da segurança, a necessidade de uma urgente e profunda reflexão, pois enfrentamos riscos cada vez mais sofisticados.

Com as exportações a ocuparem um lugar central na economia portuguesa e a consequente necessidade de existirem operações cada vez mais desmaterializadas, a oportunidade de modernizar o setor da segurança é urgente e estratégica.

Interagir com os sistemas e interpretar os respetivos dados, mas também a forma de ligar o conhecimento e experiência, com a informação que é obtida através da tecnologia é, hoje, uma exigência. A capacitação dos agentes é, por isso, uma necessidade permanente pois, no fundo, reduzir a ameaça ou o risco passa, em grande medida, pela qualidade utilizada na prevenção e na resposta, mas também por uma legislação mais profunda.

A tecnologia permite hoje inúmeras possibilidades e versatilidades, mas continua a ser determinante a resposta integrada, incluindo, neste raciocínio, a adequada interligação.

Por outro lado, a cibersegurança é uma área mais desafiante, pela rapidez e inexistência de fronteiras, e, apesar da boa coordenação que deve existir entre as forças públicas e privadas, a realidade dos nossos dias é que nas empresas e nas habitações, são as empresas de segurança, que estão na primeira linha de intervenção.

É, assim, fundamental observar os cidadãos, as empresas e as organizações, e ajudar a identificar os novos riscos a que estão expostos e agir no sentido de promover, ativamente, soluções, pois os seus dados estarão cada vez mais em todo o lado, e a bem do ecossistema da segurança, têm de ser protegidos.

A velocidade de transformação está imparável, o que nos deve levar a adaptar rapidamente e a retirar desta o que melhor consigamos. Os recentes casos da interferência em eleições, a desinformação permanente, o acesso a dados confidenciais, e, por outro lado, o facto de qualquer pessoa poder ser produtor de informação, significa que a linha limite já foi ultrapassada.

Não nos podemos esquecer que Portugal ocupa o 17.º lugar no Índice de Desenvolvimento Económico e Social da Comissão Europeia, apesar de 30% da população ainda não utilizar a internet e menos de 40% das empresas portugueses possuem presença online, o que significa que o desafio ainda é maior.

Conscientes de que não existe desenvolvimento económico sustentado sem segurança, devemos agir no sentido de a construir todos os dias.

 

Carlos Franco

Consultor

 

 

Imagem de capa: TheDigitalArtist (pixabay.com)