O Município de Anadia emitiu parecer desfavorável ao pedido de atribuição de uma área destinada à prospeção e pesquisa de depósitos minerais, nomeadamente caulinos, areias siliciosas e outras argilas especiais, na zona de «Barro do Moleiro», apresentado por uma empresa, e que abrange as freguesias de Avelãs de Cima, Moita e a União de Freguesias de Arcos e Mogofores. Esta tomada de posição foi aprovada, por unanimidade, com alguns contributos dos vereadores da oposição Ana Matias (PS) e José Menezes (Chega), na última reunião do executivo, que contou também com a presença de um munícipe a manifestar a sua preocupação sobre o mesmo tema. O projeto esteve em consulta pública até segunda-feira, dia 13 de abril.
O executivo defende que a exploração de recursos geológicos e depósitos de materiais «acarreta uma série de aspetos negativos» que afetam o ambiente, a sociedade e a economia local, tão evidenciada já no território municipal, nomeadamente, nas localidades da Cerca, S. Pedro e Candeeira, na freguesia de Avelãs de Cima. «Estes impactos manifestam-se desde a fase de extração até ao abandono das minas, sendo a mineração, por isso, considerada uma das atividades mais agressivas para os ecossistemas naturais», pode ler-se no documento aprovado.
O documento enumera alguns dos impactes ambientais, «irreversíveis», que esta exploração pode trazer ao município, nomeadamente, «a destruição da biodiversidade e de habitats, poluição hídrica, degradação do solo, poluição atmosférica e sonora, alteração da paisagem, problemas de saúde, conflitos sociais, deslocação de pessoas e bens, instabilidade geotécnica, rutura de barreiras de contenção de rejeitos, poluição pelo armazenamento de sólidos e minas abandonadas». «Sendo o território do Município de Anadia, igualmente, forte na produção agrícola familiar e empresarial e o berço do vinho espumante, este setor será gravemente afetado», lê-se num comunicado municipal, onde o executivo considera que «esta é uma atividade que não traz criação de postos de trabalho, nem gera economia no concelho».
A sessão contou com um munícipe que demonstrou preocupação para «um problema que devemos acautelar hoje». «Naquela área prevista temos rios, riachos e terrenos agrícolas com vinhas e plantação, por exemplo, de kiwis e morangos. Está em causa os nossos antepassados que nos deixaram aqueles terrenos», referiu, lamentando ainda ser «um projeto que ficará à porta das casas». Declaração que levou Jorge Sampaio, presidente da Câmara de Anadia, a garantir ser contra: «Destrói as vias de comunicação, os terrenos, não cria postos de trabalho e não favorece em nada a economia. Da nossa parte, cá estaremos para defender as populações».
Para a vereadora Ana Matias, «exige-se um maior empenho, rigor e responsabilidade por parte do executivo municipal na análise, acompanhamento e tomada de posição relativamente a este processo. O interesse público e a salvaguarda do território e das suas populações, deve prevalecer acima de qualquer outra consideração». A socialista lamentou ainda «estar tão pouco público (na reunião pública) num assunto que coloca em causa duas freguesias e uma União. Temos obrigação de fomentar a participação pública». Já José Menezes sugeriu «fazer-se já um plano para os prejuízos que a empresa vier a fazer no concelho de Anadia».
Mónica Sofia Lopes





















