Dezenas de atletas olímpicos foram, na noite da passada quinta-feira, condecorados pelo Governo de Portugal, «numa Gala inédita», que homenageou também os atletas paralímpicos e surdolímpicos. A cerimónia decorreu no Velódromo Nacional de Sangalhos, no concelho de Anadia, espaço que será intervencionado brevemente com apoio estatal de mais de um milhão de euros. Em vídeo, o medalhado Iuri Leitão, que ali treina durante várias semanas por ano, defendeu que «todo o investimento feito no Velódromo de Sangalhos é a prova de que o desporto também compensa».
«Este espaço faz-me lembrar aquele dia, em 2024, que insisti com a minha equipa para não sairmos de Paris sem ver a prova de ciclismo de Iúri Leitão e Rui Oliveira», recordou Luís Montenegro, sobre um momento que trouxe a Portugal mais uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. «Nesse dia, compreendi ainda melhor que o investimento em infraestruturas, a possibilidade de treino e o esforço podem efetivamente trazer êxitos. Podia não ter acontecido, mas dificilmente traríamos estas medalhas sem este velódromo», disse ainda o primeiro-ministro, desvendando que, logo nessa altura, as primeiras palavras de Rui Oliveira foram. «“Senhor ministro, muito obrigado por estar aqui, mas a sua presença só faz sentido se apoiar o Velódromo de Sangalhos para continuarmos a conseguir treinar e a captar mais jovens para a modalidade”. Prometi-lhes que o investimento ia ser feito e, hoje, sinto-me feliz por cumprir essa promessa, tanto no Velódromo de Sangalhos, como no CAR de Montemor-o-Velho ou no Complexo do Jamor», enfatizou, garantindo que «este Governo tem uma paixão grande pelo desporto, mas mais ainda uma responsabilidade com o país».
Coube a Jorge Sampaio, presidente da Câmara Municipal de Anadia, justificar «a necessidade de investimento na requalificação e qualificação do espaço». «Só em 2025 passaram por aqui oito mil e trezentos atletas de alto rendimento de cinquenta e três nacionalidades diferentes. À medalha no ciclismo, que orgulhosamente ajudamos a conquistar, juntam-se mais vinte e seis olímpicas e seis paralímpicas de vinte e oito atletas de várias nacionalidades», referiu o autarca, declarando que «estamos a cumprir com o que prometemos em 2005 (quando o espaço inaugurou), mas a verdade é que o desgaste do equipamento faz-se sentir. Há uma grande necessidade destas obras no valor de 1 milhão e 400 mil euros, sendo 1 milhão e 86 mil apoiados pelo Governo (através do Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo) e o restante suportado pelo Município». Apesar disso, o edil, dizendo «ser sua obrigação fazê-lo» enquanto defensor do concelho, alertou que também «será preciso avançar com mais investimento, nomeadamente, 260 mil euros em alteração para lâmpadas Led e 380 mil euros para colocação de painéis fotovoltaicos», com a finalidade de verem reduzidos os custos de gestão diária do espaço.
Durante mais de duas horas foram dezenas os atletas que passaram pelo palco improvisado do Velódromo, nomeadamente, Susana Barroso, Lenine Cunha, Patrícia Mamona, Fernando Pimenta e Nelson Évora, recebendo medalhas de bronze, prata e ouro. «Portugal precisa de valorizar mais os atletas medalhados e não medalhados, porque todos dão incentivo às gerações. Uma só medalha representa anos e anos de trabalho para que se consiga subir ao pódio. Continuaremos a trabalhar pelo vosso reconhecimento», prometeu Fernando Gomes, presidente do Comité Olímpico de Portugal. Palavras corroboradas por José Manuel Lourenço, presidente do Comité Paralímpico, que congratulou: «Este é um evento que celebra pessoas e o seu esforço».
Coube a Luís Montenegro encerrar a sessão: «Sempre que envergam a camisola de Portugal, estão milhões de pessoas atentas ao que vocês fazem em nome de todos nós».
Mónica Sofia Lopes























