Fiel ao certame, desde sempre, Natália Morais, de 89 anos, voltará a estar na Feira de Artesanato a Gastronomia do Município da Mealhada com a sua cestaria vinda de Barrô, freguesia de Luso, que faz questão de levar também por todo o país.
«Estou neste ramo há 62 anos. Comecei aos 27 e trabalhava em casa para uma empresa do Norte. Mesmo assim cheguei a ter 24 funcionários», desvenda, ao nosso jornal, a artesã, explicando que o que mais se fazia eram garrafões «pois havia muita exportação para fora». «Custou-me muito aprender esta arte, mas é aquilo que gosto de fazer e foi com ela que criei os meus filhos. Trabalhava dia e noite, mas estava com eles», confessa, recordando que os primeiros garrafões que fez «foram pagos a dez tostões».
«Depois continuei no ramo, sozinha, e também me começaram a pedir para ir às escolas ensinar e fazer demonstrações. Apesar disso, hoje já ninguém quer saber da cestaria», diz, enfatizando «ser raro o dia em que não pego nas cestas, garrafões ou garrafas para trabalhar». «Estou a chegar da feira de Mortágua, vou para a da Mealhada e depois ainda tenho outras para percorrer: Santiago da Guarda, Feira do Travasso e Vila Nova de Poiares», enumera.
Apesar da idade, todo o trabalho desta artesã na cestaria é feito por si desde a raiz. «Vou à beira dos rios e corto as vergas, depois descasco-as e tenho de as secar. Só depois tenho a matéria prima para começar a trabalhar», explicou-nos.
Na Feira de Artesanato e Gastronomia da Mealhada fará o habitual: «Abro logo pela manhã e fico até à noite, esperando que as vendas possam ser boas. Sair de casa para as feiras é uma aventura: pode dar e pode não dar nada».
Natália Morais enfatiza que «já no ano passado, as vendas foram muito fracas», confessando, contudo, que está nisto «por amor à camisola». «Gosto do convívio e daquilo que faço. Às vezes o que ganho, nem chega para pagar o táxi», remata.
Texto de Mónica Sofia Lopes
Fotografia com Direitos Reservados e cedida pelo Município da Mealhada






















