Dos cerca de cem artesãos, provenientes de norte a sul do país, que irão expor e trabalhar ao vivo a sua arte – nomeadamente, brinquedos tradicionais, vidros e cristais, cerâmica, palha, cobres ou quadros de arraiolos -, vinte são do concelho da Mealhada, estando espalhados pelo Jardim Municipal e suas ruas envolventes, assim como também na Avenida 25 de Abril. Não é, por isso, de estranhar, que a Feira de Artesanato e Gastronomia do Município da Mealhada esteja classificada como Feira de Artesanato Nacional pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Ao longo do certame, o público poderá ter contacto com diversos tipo de artesanato – muito dele a ser feito no local e «ao vivo» -, nomeadamente, bonecas de pano, bordados, rendas de filé, cerâmica figurativa, cestaria, peles / calçado, figurado caricaturas, tricot artesanal, arte sacra, tecelagem de Almalaguês, cerâmica artesanal, metal / figurado, pedra, figurado, marionetas, trapologia, bordados em crivo, figurado ferro, lenço dos namorados, escultura madeira, instrumentos musicais de corda, quadros arraiolos estanhos, tecidos, galeria de arte, tricot / tecido, jóias de autor, cabaças/telhas, costura criativa, olaria, vidro e cristal, vidro, porcelana fria, quadros de madeira, cerâmica criativa, filigrana, lã feltrada, brinquedos, bonecos, búzios e conchas, pedras pintadas, artesanato em tecido, flores de madeira, bijuteria, madeira e bambu, crochet, rendas e bordados macramé, azulejaria artística e escultura – pedra de sabão.

Haverá uma presença forte de artesãos de Barcelos, da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, classificada como cidade Criativa no domínio do Artesanato e das Artes Populares, mas muitos outros artesãos, de norte a sul do pais, se juntarão provenientes de Monforte, Canas de Senhorim, Castelo Branco, Felgueiras, Azeitão, Nisa, Cortegaça, Vila Nova de Gaia, Póvoa de Varzim, São Félix da Marinha, Almalaguês, Torres Vedras, Quinta da Ferreira, Celorico da Beira, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Poiares, Ponte de Lima, Ermesinde, Felgueiras, Mangualde, Souto, Redondo, Viseu, Miranda do Corvo, Rio Maior, Algarve, Lousã, Figueira da Foz, Guimarães, Condeixa, Pocariça, Aveiro, Marinha Grande, Espinho, São Pedro Fins, Gondomar, Mem Martins, Lourinhã, Ourém e Bragança e também de várias localidades do concelho da Mealhada e da região.

Para Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara da Mealhada, «este tipo de feiras preserva a tradição, fortalece a comunidade e é um motor de inovação, com o artesanato de base reinventado». «Numa visita à Feira da Mealhada “bebemos” não só da preservação da cultura, mas também a forma como o artesanato pode ser gerador de uma nova linguagem artística. Procuramos sempre que os artesãos possam trabalhar ao vivo para que as pessoas “mergulhem” na história de cada artesão e de cada peça», enaltece a autarca, referindo ainda que o facto da Feira de Artesanato da Mealhada «ser hoje de âmbito nacional, possibilita aos nossos artesãos novas vivências e podem ser incentivo para que também eles estejam em outras feiras do país e levem consigo o nome da Mealhada».

A participar neste certame há três anos, Elisabete Lourenço, de 60 anos, oriunda de Felgueiras, trará as rendas de filé e o seu discurso compactua com aquilo que o Município da Mealhada pretende para o evento atribuindo-lhe um selo de «Turismo de Experiência». «Organizar uma feira de artesanato tem que se lhe diga e quem tomou conta desta teve a sensibilidade e o gosto de trazer o verdadeiro artesanato, aquele em que o artesão pega na matéria prima e faz o seu produto. Os artesãos trabalham ao vivo com o público a assistir, a conversar connosco e a questionar o que vamos fazendo», elogia esta artesã com 40 anos de experiência, enfatizando que «trabalhar ao vivo é a peça chave para qualquer feira, a sério, de artesanato». Depois, acrescenta, «a Feira da Mealhada é uma família e tem uma organização que nos recebe muito bem».

Sobre as vendas, Elisabete Lourenço diz que a crise «vem de há muitos anos». «O meu cliente é de classe média / alta porque o meu produto é caro. Trabalho com fios de linho ou de algodão e nunca faço uma peça em apenas um dia. São aliás as peças únicas e mais caras que vendo com maior regularidade», diz.

Filomena Pinheiro espera que as pessoas visitem o certame: «Que se surpreendam e que tenham excelentes experiências geradoras de felicidade. Esta feira é sempre um momento libertador dos problemas, de conhecimento e de interação entre pessoas, associações e comerciantes. O facto desta feira acontecer no centro da Mealhada é importante para nós porque está no epicentro do comércio local. Serão, por isso, dias de festa com toda a certeza».

 

Mónica Sofia Lopes