Foi a 9 de agosto de 2020 que um incêndio de grandes dimensões consumiu totalmente o edifício-sede da escola de samba Sócios da Mangueira, da Póvoa da Mealhada. Volvido um ano, a escola sente-se «mais unida do que nunca» e pronta a retomar os trabalhos brevemente, assim o permita a pandemia por covid-19. Quanto à requalificação da sede, esta encontra-se na fase de anteprojeto, uma obra que não só recuperará o edifício ardido, como ainda lhe dará mais espaço. «Estamos a falar de uma obra de cerca de 300 mil euros, cujo concurso público será lançado, se tudo correr bem, brevemente», referiu, na semana passada ao nosso jornal, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada.

O edifício – os antigos lavadouros públicos da Póvoa – «carregava», na altura, os 42 anos de história da coletividade e era o epicentro de toda a escola há já duas décadas. «Guardávamos tudo ali. Estava tudo muito bem documentado e organizado», disse, ao nosso jornal, na manhã seguinte ao incêndio, André Castanheira, presidente da direção dos Sócios da Mangueira, sobre um espaço que estava repleto de instrumentos e fatos carnavalescos, avaliando o prejuízo, nessa altura, em cerca de 150 mil euros.

Ontem, um ano depois da tragédia, o dirigente da escola garante já ter visto o anteprojeto para a obra da sede, acrescentando que esta «será ampliada». «Depois do incêndio, fomos atingidos com uma gigante onda de solidariedade. Para além de donativos – 5 mil euros por parte da Associação do Carnaval da Bairrada e mais de dois mil euros com a venda de camisolas -, tivemos muitos contactos e até pessoas a cederem-nos instalações, nomeadamente por parte de outras escolas», enfatiza André Castanheira, recordando que, neste momento, a escola de samba tem já os instrumentos musicais, vindos do Brasil, «só possível com um subsídio extraordinário disponibilizado pela Câmara da Mealhada».

Agora, e se a evolução da pandemia o permitir, o dirigente tenciona «regressar ao ativo em setembro». «Estamos a utilizar uma sala nas instalações do antigo Instituto da Vinha e do Vinho, mas onde não conseguimos, por exemplo, fazer ensaios e, por isso, a Câmara está a tentar solucionar a todo o custo este problema», referiu o presidente da direção dos Sócios da Mangueira, confessando que «o incêndio uniu ainda mais a escola. A única coisa que nos distanciou fisicamente foi a pandemia».

«Vamos regressar com toda a força. Uma sede, como aquela que tínhamos, não era só o edificado. É preciso pensar no material, nas ferramentas, vamos precisar de tudo. Vamos trabalhar, assim nos permita a pandemia», disse ainda o dirigente, da escola mais antiga do Carnaval da Mealhada (em 2021 assinala 43 anos) e a segunda mais antiga do país.

Ontem o assunto foi também focado na sessão pública do executivo camarário, com Hugo Silva, da coligação «Junto pelos Concelho da Mealhada», a questionar o ponto de situação. Em resposta, Arminda Martins, vereadora com o pelouro das Obras, explicou que «em primeiro lugar houve todo um processo com a seguradora, que está concluído; e existe agora um anteprojeto, que a escola já viu. Tudo, aliás, está a decorrer em estreita articulação com os Sócios da Mangueira». «Segue-se a fase de projeto e a do projeto de execução. As coisas demoram, mas estão a seguir os trâmites legais», enfatizou a vereadora.

Também Nuno Canilho declarou: «Eu próprio, o senhor presidente da Câmara, as direções dos Sócios da Mangueira e da ACB estamos a tentar encontrar uma solução para a escola, para que depois do Verão possa ter as condições mínimas para começar a preparar o Carnaval de 2022, se este vier acontecer».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagem de capa de Arquivo de José Moura