O novo presidente da Fundação Mata do Bussaco, Gonçalo Breda Marques, avalia a hipótese de ter militares no terreno, com carro, a vigiar a Mata Nacional do concelho da Mealhada, uma pretensão que até já terá sido feita ao Ministério da Defesa Nacional. A proteção daquele espaço está nas prioridades do recém-nomeado pelo Governo para presidir ao conselho diretivo da Fundação Bussaco.
«A possibilidade de mobilização de militares ou de um pelotão de vigilância, que possa apoiar ações de prevenção e vigilância, e contribuir para uma resposta mais célere e eficaz perante situações de risco» será o mote desta pretensão da Fundação, que considera que uma articulação estruturada pode originar um contributo decisivo para a proteção da Mata do Bussaco, em especial durante o período crítico de incêndios, que está já em vigência.
«Em poucos dias fizemos o diagnóstico florestal e também já sabemos o que o património construtivo precisa», referiu, recentemente, o novo presidente da Fundação Bussaco, durante a gravação de um podcast regional, a que o nosso jornal assistiu. «Estamos preocupados em prevenir, proteger e preservar. Para além disso, está na altura de serem dados passos largos no que toca a investimento», acrescentou.
A matéria da prevenção no Bussaco mereceu, aliás, a visita do Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, no final do passado mês de maio, tendo o encontro servido para «analisar as principais preocupações e definir os investimentos prioritários para a salvaguarda daquele património». Também, recentemente, em passagem pelo concelho da Mealhada, Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, afirmou que «a Mata do Bussaco é um dos “ex-líbris” da região da Bairrada, sendo essencial a cooperação da Câmara e do Governo com a Fundação».
Com reunião agendada com a Proteção Civil da Mealhada, Gonçalo Breda Marques e a sua equipa querem conhecer o plano operacional do concelho, ao mesmo tempo que vão trabalhando na prevenção. «Com o ICNF e a empresa Altri procedemos ao levantamento dos montes de sobrantes, tendo já retirado uma grande parte, assim como também o fizeram os responsáveis dos baldios no Bussaco», destacou, lembrando, contudo, que no que toca a sobrantes, se trata de uma matéria que rapidamente se volta a amontoar.
Gonçalo Breda Marques garante que «a limpeza da mata, não é uma limpeza normal, uma vez que se tem que preservar os recursos naturais», lamentando, contudo, que «o quadro de pessoal seja muito pequeno». «Faltam pessoas para tratar deste património de 105 hectares, reconhecendo que os vencimentos são baixos e não estão de acordo sequer com o setor público», enfatizou, explicando que a angariação de receita é importante para o futuro da Mata e da Fundação que a gere: «É importante sensibilizar as pessoas de que a contribuição neste espaço, gera a sua preservação».
Estando o Bussaco na lista indicativa a Património Mundial da UNESCO, Gonçalo Breda Marques acredita ser possível um final feliz para esta candidatura e recorda que em 2028 «se farão 400 anos do lançamento da primeira pedra do Convento do Bussaco», que com os Carmelitas Descalços originou todo o resto. «A esta distância, teremos tempo e muita vontade para promover um evento que tenha projeção nacional, mas também internacional», destacou, não esquecendo a recém nomeação da Mata Nacional do Bussaco como candidata às 7 Novas Maravilhas de Portugal.
Texto de Mónica Sofia Lopes
Imagem de Arquivo com Direitos Reservados






















