Até ao próximo domingo, dia 16 de agosto, a Alameda do Casino de Luso, no concelho da Mealhada, recebe a Feira do Mel e do Pão, integrada no programa cultural e turístico Luso Verão 2026. A visitação ao certame é de entrada gratuita, mas no local podem ser compradas peças de artesanato variadas e que estão distribuídas pelos cerca de quarenta espaços, em que oito são dedicados ao pão e outros tantos ao mel e a produtos derivados, de produtores oriundos dos concelhos da Mealhada, de Anadia, de Águeda e de Coimbra, que integram a Associação de Apicultores do Litoral Centro, entidade que alerta para o período negro que o setor vive.

«Este projeto começou em 1999 com o objetivo de dinamizar e escoar a produção do mel da região, ao qual se juntou o pão. Ao fim de 27 anos continua a fazer muito sentido até pela quantidade de produtores de mel que sempre temos», referiu António Jorge Franco, presidente da Autarquia da Mealhada, congratulando o facto «de os produtores resistirem perante a época complicada que se vive, principalmente devido à vespa asiática». «Este evento, que se foca no pão, no mel e seus derivados, cujos grandes obreiros são a Associação de Apicultores, dá uma grande resposta do ponto de vista turístico, durante este fim-de-semana», enalteceu.

Lino Tavares, vice-presidente da direção da Associação de Apicultores do Litoral Centro, faz «um balanço positivo do evento, principalmente porque os apicultores vendem aqui os seus produtos», mas também pelo facto «de contribuir para a economia e o turismo da vila de Luso». Para o dirigente, «a feira continua a ser muito importante para que se alerte e chame a atenção para a situação péssima e as dificuldades do setor. A falta de polinização fará com que falte o mel, mas também muitos outros produtos à nossa mesa». «Este é o grande alerta que todos têm que estar conscientes», enfatiza.

E quais as causas para isso?, quisemos saber. «O fator principal é a vespa asiática (que destrói as colmeias), mas também as temperaturas diversas que levam a que as abelhas não se desenvolvam», aponta Lino Tavares, lamentando «o decréscimo de produção na região e o facto de a flora já estar seca nesta fase do ano. Se há 15, 20 anos produzíamos 20 quilos de mel por colmeia, agora falamos em quatro ou cinco». Algo que só se poderá alterar «com o controlo da vespa asiática e da varroa (parasita) e com alguma ajuda de São Pedro».

Oriunda de Águeda, encontramos a apicultura Márcia Ferreira, que vem ao certame pelo terceiro ano consecutivo, tendo na sua banca a venda do mel, mas também pólen, própolis, velas em cera e até revende cremes de mãos, feitos a partir de mel. Apesar de ter uma escala pequena de colmeias, esta apicultora «nos tempos livres», como refere, corrobora que «a vespa asiática é uma grande inimiga do setor, assim como as condições climatéricas». «Este ano estive quase a ficar sem apiário porque o fogo esteve à porta. Não é nada fácil ser-se apicultor e ter o mel o mais natural possível, até porque não é um produto valorizado, mesmo do ponto de vista financeiro», lamenta Márcia Ferreira, que presta workshops, em contexto escolar, onde sensibiliza para a importância das abelhas e a sua polinização.

O certame, ontem inaugurado, realiza-se das 10h00 às 23h00 e conta com animação cultural. Este sábado, 15 de agosto, pelas 16h30 atua o grupo «Dance With Heart» e, pelas 21h00, a fadista lusense Edna. Amanhã, haverá música popular com a «Fonte da Pipa», a partir das 16h30, depois de uma manhã dedicada ao desporto.

 

Mónica Sofia Lopes