Nome: Dalila Melado

Idade: 26

Naturalidade: Coimbra

Profissão: Operadora de cartas eletrónicas

 

Tem 26 anos, é natural de Casal Comba, no concelho da Mealhada, e há cerca de dois anos fez as malas e rumou até à Suíça, para junto dos pais e um país onde já tinha vivido de 2011 a 2015. É operadora de cartas eletrónicas, artefacto que dá funcionamento a diversas máquinas, tais como ventiladores, um pormenor que faz com que, durante a pandemia que se vive a nível mundial, a jovem veja o trabalho ser redobrado.

Dalila Melado nasceu em Coimbra e parte do seu percurso escolar foi feito no Agrupamento de Escolas da Mealhada, tendo, em determinada altura, integrado um curso de design de moda na Escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra, que frequentou até ao 11.º ano. Foi mãe e antes de decidir emigrar, em 2019, trabalhou na área da restauração.

A viver, atualmente, em Monthey, a jovem diz que naquele distrito da Suíça as diferenças com Portugal são grandes «ao nível de quase tudo». «Começa logo pelo clima», sublinha, acrescentando que «o civismo de cada um é bastante notável» naquele país. «A qualidade de vida aqui é muito melhor», refere.

«Em 2011 vim para a Suíça por decisão dos meus pais e como era menor tive que os acompanhar», recorda Dalila Melado, sobre um período que durou até 2015. «Quando cheguei aqui, nessa altura, tinha 16 anos e foi um processo complicado. É uma fase em que só pensamos nos amigos e afastar-me deles não foi fácil», revela, recordando que «teve que aprender também uma língua nova».

Mas quando em 2019, Dalila Melado decidiu emigrar novamente, garante que «a abertura e a mentalidade já foram totalmente diferentes». «Em primeiro lugar, foi uma decisão minha; depois porque tinha muitas saudades de viver perto dos meus pais», diz, sublinhando que «o facto do meu filho poder crescer junto deles também, só me deu uma enorme força para voltar».

Por agora, Portugal só em períodos de férias «e sempre que posso». «Tão cedo não me vejo a voltar para residir. Agora que estou aqui a trabalhar, com outra idade e perspetiva, consigo comparar e considero que a vida em Portugal é má. Talvez até se venha a agravar com a pandemia», lamenta, sublinhando, contudo, «não ser fácil» estar longe. «Sobretudo quando pensamos que os anos passam por nós, mas também pelos nossos avós. É um tempo que vai passando e nunca mais iremos ter de volta», refere Dalila Melado, acrescentando que «é muito triste ter que se construir uma vida a lutar pelo melhor possível para nós e para os nossos filhos, totalmente fora da nossa zona de conforto».

Sobre saudade, a jovem foca-se, no imediato, nos avós e restante família «mais próxima», mas também «nos amigos, na praia e, obviamente, no Carnaval da Mealhada», não fosse uma foliã ativa da escola de samba Real Imperatriz, agremiação que o progenitor ajudou a fundar.

Apesar disso, quando lhe perguntamos se gosta de viver naquele país, a resposta é perentória: «Muito!».

 

Trabalho minucioso com «cartas eletrónicas»

Na Suíça, Dalila Melado é operadora de cartas eletrónicas, onde faz soldadoras. «Estas cartas vão dar funcionamento a máquinas, como por exemplo, impressoras, drones e até ventiladores», explica, garantindo que solda essas cartas «sem poder tocar nos componentes ao lado». «Às vezes também preparo os fios. É um trabalho minucioso», refere.

Por serem componentes de grande importância para os ventiladores utilizados em hospitais, Dalila Melado diz que tem «ainda mais trabalho durante a pandemia».

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias com Direitos Reservados