Nome: Carina Margarida da Silva Paredes

Idade: 37

Naturalidade: Coimbra (Se Nova), Portugal

Profissão: Estudante e Investigadora júnior

 

 

Carina Paredes está no Canadá há quase uma década. Partiu do concelho da Mealhada, mais concretamente do Travasso, com uma licenciatura em Engenharia Alimentar na mão e a ideia de que na sua área, aquele país, lhe reservava oportunidades profissionais «interessantes e desafiadoras». Estava certa. «Em solo canadiano sinto-me altamente valorizada e reconhecida», sublinha a jovem, de 37 anos.

Natural do Travasso, freguesia da Vacariça, no concelho da Mealhada, Carina Paredes iniciou o seu percurso profissional, em 2008, após terminar o curso em Engenharia Alimentar, na Mistolin, SA, em Vagos, onde trabalhou como Consultora de Higiene e Segurança Alimentar até 2011, passando depois, durante seis meses, para a fábrica do Grupo Alcides Branco na Lameira de Santa Eufémia. «O meu contrato terminou e estive desempregada quase dois anos, sem conseguir arranjar qualquer trabalho, quer na minha área quer noutra área. Para uns sítios tinha muita formação e para outros pouca», recorda.

Foi nessa altura, corria o ano de 2013, que a jovem fez uma viagem para o Canadá, «já com o objetivo de ver se me adaptava, se gostaria de viver cá e que progressão poderia ter na carreira», explica Carina Paredes, que começou por viver em Toronto, mudando-se depois para Otava, onde reside atualmente.

A jovem, natural do Travasso, confessa que «nunca quis emigrar», por considerar que o país investiu em si, através de uma bolsa de estudo, e que, por isso, «deveria trabalhar em Portugal». «Infelizmente a carreira estagnou e o facto de não encontrar trabalho na minha área de formação, nem obter apoios para começar o meu próprio negócio, mudou a minha perspetiva de ver as coisas», lamenta, recordando o incentivo que teve por parte de uma ex-professora da Escola Superior Agrária de Coimbra. «Estava indecisa entre Austrália, Nova Zelândia e o Canadá, mas acabei por escolher o sítio onde já tinha alguma família, dando alguma segurança aos meus pais, e também porque tinha a certeza que era um país em expansão na minha área de formação com oportunidades profissionais muito interessantes e desafiadoras», acrescenta.

«Viver no Canadá não é tão fácil como pode parecer», desvenda a nossa entrevistada, referindo-se, por exemplo, ao clima: «O Inverno é muito frio, dura cerca de 9 meses repletos de neve, e o Verão é curto, quente e húmido». Também o processo de legalização não foi fácil: «É caro, lento, complicado e difícil. Ser licenciada e ter alguma experiência de trabalho foi uma mais valia, o que não deixa de ser irónico, tendo em conta os motivos que me levaram a sair de Portugal».

Quando chegou aquele país, Carina Paredes fez um pouco de tudo, trabalhou nas limpezas, numa fábrica, foi empregada de balcão e rececionista, tudo isto enquanto fazia uma especialização. «Estudei Biotecnologia durante um ano e consegui um trabalho como Técnica de Controlo de Qualidade. Nessa altura, percebi que queria mais e concorri ao Mestrado em Microbiologia e Imunologia na Universidade de Otava. Estou no segundo ano e paralelamente faço investigação no “Canadian Blood Services” (Banco de Sangue Canadiano)», conta-nos a jovem bairradina, que lamenta que, em Portugal, «o mercado de trabalho seja limitado, injusto e com muito compadrio». «Em solo canadiano sinto-me altamente valorizada e reconhecida», sublinha, garantindo, contudo, que leva «um dia de cada vez, com muitas saudades da família, dos amigos, do clima e do mar».

 

Como é viver longe da família e do país Natal?

«É difícil! Há dias em que só apetece largar tudo, apanhar o avião e voltar para casa, mas quando tens foco, objetivos e estás a conseguir concretizar o que sempre sonhaste, segues em frente», afiança a jovem do concelho da Mealhada, ciente de que em Portugal «não ia conseguir realizar os meus sonhos e atingir os objetivos profissionais». «No Canadá, aos poucos, estou a conquistar o meu lugar no mundo e isso faz-me muito feliz», enfatiza.

 

«Portugal vai ficando cada vez mais longe»

«O processo de adaptação é extenso e Portugal vai ficando cada vez mais longe», diz Carina Paredes, referindo que «o Canadá é um país multicultural, onde encontras pessoas de diferentes pontos do globo, mas onde também te cruzas com colegas de liceu, que nem imaginavas que por aqui andavam». «O convívio com pessoas de outros países, com diferentes culturas, religiões, etc., torna-te num cidadão do mundo e vais construindo amizades que guardas para sempre contigo. O processo em si é difícil, mas maravilhoso e compensador», confessa, acrescentando: «Emigrar não é um mar de rosas como muitos pensam, mas é recompensador».

E voltar a Portugal? «Acho que não consigo responder a esta questão. Há dias em que penso que mais uns anos e volto de vez, mas depois há outros em que penso “nem pensar, só mesmo para férias”. Para já levo um dia de cada vez, mas sinto muitas saudades da família, dos amigos, do clima e do mar», diz, garantindo que vive «a cerca de seis horas de carro do Oceano Atlântico, o que torna difícil ir à praia ao fim de semana durante o Verão». «Os lagos ajudam…», sublinha.

A estudar e a trabalhar, Carina Paredes diz que «não há muito tempo para hobbies», mas quando surge a oportunidade gosta de viajar de carro «para ver as paisagens», assim como aproveita para «caminhar e ler um livro». «Tinha planeado regressar às danças e ao ginásio em 2020, mas a pandemia não o permitiu. Vou treinando em casa até que a nova “normalidade” seja estabelecida», planeia.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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