Nome: Gonçalo Miguel Massadas Almeida Pato

Idade: 30

Naturalidade: Mealhada

Profissão: Marketing / Estafeta distribuidor

 

 

Um problema familiar, seguido de uma oportunidade de trabalho, levou, há três anos, Gonçalo Miguel Pato da Mealhada até Gruyère, na Suíça. A trabalhar em vários sectores dos correios suíços, o jovem, de trinta anos, tece rasgados elogios ao país que diz “que o escolheu”, confessando que as visitas a Portugal acontecem somente “por força maior”.

Natural da Mealhada, Gonçalo Pato, após frequentar o curso de Marketing na Universidade de Aveiro, passou, em estágio, pela agência LOBA – Customer Experience Design, participou na Academia Olá e fez ainda parte da área comercial na Artsensor – Sistemas de segurança em Aveiro. Mas a sua grande paixão sempre foi a música tendo, individualmente e em grupo, feito parte de diversos projetos em Portugal.

Uma vida que nem sempre o preencheu e que, por isso, na primeira oportunidade, Gonçalo Pato rumou até à Suíça, onde, de há três anos para cá, trabalha nos Correios daquele país. “Considero um privilégio viver na Suíça. É o centro do mundo onde todas as nacionalidades e comunidades vivem em conjunto, onde está o povo mais rico do mundo e onde todos os milionários passam férias”, começa por descrever, ao nosso jornal, o jovem que garante ser “um país onde impera a organização, a regra e a educação”. “A polícia ensina as crianças a passarem nas passadeiras e a agradecer aos condutores por isso”, descreve ainda, lamentando que “em Portugal, seja cada um por si, onde impera a ‘lei da selva’”.

Sobre a adaptação inicial, o jovem, que foi recentemente pai de uma menina, conta que quando chegou à Suíça sentiu o racismo, “típico para todos aqueles que não são suíços”. “A primeira vez custa, mas depois aprendemos a conviver com isso”, enfatiza, garantindo que o clima é fantástico: “Tanto há muito sol e calor, como vem o frio e a neve, mas sempre com muito menos humidade do que aquela que sentimos em Portugal”.

O jovem elege até um conjunto de atividades que gosta de fazer durante o ano. “No Inverno, gostamos muito de fazer ski e de chegar a casa para degustar um fondue de queijo. No Verão, gostamos de nadar nos lagos de água doce e organizar churrascos com a casa cheia de amigos”, conta ao nosso jornal.

Gonçalo Pato não esconde, durante toda a entrevista, o entusiasmo que sente por viver num país com as características da Suíça. “Só vou a Portugal para eventos familiares. Já estive oito meses sem ir”, afiança o jovem que, apesar disso, não esconde as saudades das pessoas que fazem parte da sua história de vida, bem como das riquezas do país: “As praias, a gastronomia, as festas e o ‘calor humano’ tão característico dos portugueses”.

 

Gonçalo queria mais para Portugal

“Gostava que em Portugal fosse implementado o sistema de democracia direta, que permitisse aos cidadãos tomarem decisões, em vez desse poder estar nas mãos dos políticos; que se criassem terrenos maiores, para maior e melhor produção, e se cuidasse da floresta como um todo para que ela não desapareça. Que os resíduos florestais fossem usados em caldeiras municipais para aquecer as casas em vez de se importar gás e eletricidade e que se acabasse com as queimadas”, enumera o jovem, desejando ainda que fossem abolidas as filas intermináveis nos serviços, “podendo os assuntos do Estado ser resolvidos pela internet”.

 

Voltar a Portugal não é prioridade

“Assusta-me a ideia de voltar para Portugal, se voltasse significava que tinha ganho o totoloto ou que os vinte anos, que me esperam de trabalho árduo, correram da mesma forma que os três que já passaram”, confessa Gonçalo Pato que garante que quando regressar ao nosso país pretende ir viver para a ilha da Madeira.

“Viver longe da família dá liberdade de andarmos na rua incógnitos, uma vez que ninguém nos conhece. Para além disso, não temos que dar desculpas ao domingo para não irmos almoçar com a família”, diz, entre risos, lamentando que as notícias que vai ouvindo de Portugal sejam quase sempre “de acidentes de viação, assaltos e incêndios”.

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes

Fotografias com Direitos Reservados