A festa literária Folha realiza-se, pelo segundo ano consecutivo, no Parque das Artes da Curia, no concelho de Anadia, até amanhã, sábado, 28 de setembro. Um evento dedicado às várias faces da cultura que junta, no mesmo espaço, mais de quarenta personalidades das diversas áreas da literatura, poesia, música, jornalismo e do conhecimento.

“O Outono chega e traz a este lugar centenário a Festa Literária Folha, que muito gostaríamos que se tornasse no maior evento do género em Portugal”. Foram estas as primeiras palavras do curador António Vilhena, responsável pela organização do evento, que “nasce da vontade conjunta do Hotel das Termas da Curia e da Câmara de Anadia”.

E se no ano anterior, António Vilhena falou do “sonho, utopia e ideia” do projeto, ontem, elogiou o seu crescimento e o facto de se tornar “uma realidade, por mais um ano”. “Acreditamos que juntos podemos acrescentar qualquer coisa à nossa vida e à dos outros”, acrescentou.

José Romão, administrador da Sociedade das Águas da Curia, não tem dúvidas de que o local escolhido para a realização do evento remete para “a paz e é uma oportunidade para a reflexão”. Não é por isso de admirar que o famoso escritor António Gedeão tivesse escolhido as Termas da Curia para fazer tratamentos, mas também escrever muito daquilo que deixou em obra. “Ficava na Pensão Lourenço e a sua filha, através de uma crónica, recordou os momentos que também aqui vivia”, referiu ainda.

Acerca da temática deste ano, o administrador da Sociedade das Águas da Curia garante que “a festa literária debate problemas sociais importantes, nomeadamente, o jornalismo e as ‘fake news’”, dando também palco à literatura infantil, entre outros, com José Fanha e Milú Ribeiro.

Bastante elogiado por apoiar a iniciativa, desde o seu início, foi o Município de Anadia, com a autarca Teresa Cardoso a desejar que “a parceria perdure ao longo de muitos anos”. “Queremos que este evento possa crescer”, enfatizou a edil, garantindo que tem sido feito “um grande trabalho na divulgação do concelho em diversas áreas”, assim como tem havido uma aposta na animação da Curia.

Seguiu-se um dos pontos altos da inauguração com a abertura ao público da exposição “Centenários”, uma consagração “a dois dos maiores poetas portugueses do século XX: Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena”. Uma mostra exposta na Sala Oval do antigo edifício das Termas.

Esta sexta-feira, a manhã encheu-se de crianças para apresentação do livro “A Raposa que se deixou encantar pelas histórias”, de Milú Loureiro. À tarde, a partir das 14h 30m, haverá uma “mesa” dedicada à “Programação e Políticas Culturais” com Madalena Wallenstein, do Centro Cultural de Belém, e Aida Alves, da Biblioteca Lúcio Craveiro de Braga; e outra de evocação a Jorge Sena com os professores catedráticos José Carlos Seabra Pereira e Margarida Braga Neves. Serão também apresentadas as obras “Dona Filipa e D. João I” e “O meu menino é um anjo incendiário”.

Amanhã, sábado, dar-se-á, pela manhã, a apresentação do livro de poesia “A casa do ser” de António Canteiro; seguindo-se, depois do almoço, uma mesa de evocação a Sophia de Mello Breyner Andresen. À noite haverá uma “Gala Lírica” com Filipa Pais, na voz, e João Paulo Esteves, no piano.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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