Depois de correr nas redes sociais e de ser alvo de uma reunião extraordinária na Câmara, a demolição, recentemente, de parte da antiga Fábrica de Cerâmica das Devesas, situada junta à Estação de Comboios da Pampilhosa, no concelho da Mealhada, foi tema dominante na última Assembleia Municipal. Na sessão, que se realizou na noite de terça-feira, 23 de abril, o Bloco de Esquerda viu ser chumbada, pela bancada socialista, a recomendação para que fosse realizado um estudo sobre a designada “Fábrica Velha”, uma vez que “essas diligências estão já a ser feitas”, defendeu Daniela Esteves, presidente do órgão.

Na reunião extraordinária, que decorreu na semana passada, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, garantiu que a demolição se prendeu com fatores de segurança do local; e Nuno Canilho, vereador com o pelouro da cultura, trouxe à tona um estudo de Avelãs Nunes, da Universidade de Coimbra, dando conta de que o interesse do espaço para musealização seria o da “zona da fábrica e do forno”, podendo ser o resto “desmantelado”. Mas na noite de 23 de abril, Maria Alegria Fernandes Marques, natural da Pampilhosa, referiu que as notícias vindas a público “não espelham nem de longe, nem de perto”, o estudo do Professor Avelãs Nunes, um trabalho que diz ser propriedade “do seu ex-aluno e não da Câmara da Mealhada”.

Maria Alegria Marques

Maria Alegria Marques colocou ainda algumas questões a Rui Marqueiro, nomeadamente, se há, ou vai haver, algum “estudo de enquadramento e rastreio da unidade cerâmica da Pampilhosa”; bem como se há algum “projeto de investigação dos vestígios sobreviventes”. Já sobre a decisão do espaço vir a ser um estacionamento, a pampilhosense questionou se se trata de algum tipo de “turismo de mobilidade” que traga o fluxo de Coimbra B para a Pampilhosa.

Executivo municipal

Em resposta, Rui Marqueiro, garantiu que “a fábrica foi adquirida, em 2011, em avançado estado de ruína” e que o que foi feito há dias “foi por questões de segurança”. O autarca explicou que sempre foi pensado para o local “um parque de estacionamento”, tendo estado dependente de projetos de remodelação da Infraestruturas de Portugal para a Estação da Pampilhosa. Um espaço que o presidente da Câmara da Mealhada diz ter sido “pior tratado do que alguns apeadeiros na região que têm passagens superiores dignas”. “A Estação da Pampilhosa foi tratada como enteada”, lamentou.

Para o autarca segue-se agora “um parque de estacionamento e, eventualmente, a recuperação possível do espaço”, garantindo estarem “preocupados com a contenção do que resta da fachada”. “Com a catenária construída junto ao edifício, as dificuldades são imensas para se trabalhar. Ali nem andaimes são permitidos, só se pode trabalhar no interior do edifício”, explicou.

Na sua intervenção, Rui Marqueiro elogiou ainda o parecer de João Paulo Avelãs Nunes, recordando que nele o professor catedrático “manifesta disponibilidade em colaborar com a Câmara”.

Rosalina Nogueira

Rosalina Nogueira, presidente da Junta da Pampilhosa, afirmou, publicamente que “o fim destinado ao edifício cabe ao seu proprietário – a Câmara – e não à Junta”, entidade que garante que tem vindo “a alertar para barulhos provenientes da Fábrica”. “Lamento a forma pouco séria que a oposição tem feito por aparecer. Este debate merece seriedade e a Junta estará sempre ao lado da segurança das pessoas”, rematou.

Gonçalo Lopes, do Bloco de Esquerda

 

 

O assunto terminou com a recomendação à Câmara, por parte do Bloco de Esquerda, “de um estudo na Fábrica das Devesas”, que acabou por ser chumbado pela maioria socialista, “uma vez que essas diligências estão já a ser feitas”.

 

 

PCP acusa vice-presidente de contestar greve de pessoal não docente

João Louceiro

“Tivemos conhecimento de que no primeiro dia de greve foram feitos telefonemas a funcionários, pelo vice-presidente da Autarquia, contestando a adesão à greve”. As palavras são de João Louceiro, eleito na Assembleia Municipal da Mealhada pelo Partido Comunista Português, e referem-se à greve nacional do pessoal não docente realizada no passado mês de março.

“A ser verdade, pôs-se em causa o direito à greve e seria uma situação absolutamente imprópria”, continuou o deputado municipal, questionando o presidente da Câmara da Mealhada que “medidas tomará para que isto não volte a acontecer”.

Em resposta, Rui Marqueiro explicou que, enquanto dirigente de várias entidades, ao longo da sua vida, nunca deu orientações nesse sentido, acrescentando ainda: “Não tomarei medidas nenhumas porque estou certo de que ninguém faria o que disse”.

O autarca relembrou que, durante a referida greve, se limitou “a afixar os serviços mínimos e obrigatórios, respeitando-a sempre”, garantindo, contudo, ir “tentar perceber o que o leva a dizer isso”.

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de JOSÉ MOURA