Meia centena de trabalhadores da fábrica de revestimento Cinca, no Travasso, no concelho da Mealhada, estiveram em greve na passada segunda-feira, dia 4 de março. Nas principais reinvidicações estão “o aumento no vencimento de 40 euros; 25 dias de férias, independentemente das faltas; e ainda melhores condições de trabalho”.

Os trabalhadores começaram a greve à meia noite de segunda-feira e, para além dos motivos já apontados, Susete Gomes, delegada sindical na CINCA, explica que “há discrepância entre categorias em fábricas diferentes do mesmo grupo (para além do Travasso, a área de negócio está implementada em Ílhavo e Fiães) e ainda em alguns setores na mesma fábrica, como a manutenção, em que um funcionário ganha 600 euros e outro mil”.

O acidente de trabalho que, há cerca de um mês, fez uma vítima mortal na fábrica do Travasso é um alerta para Susete Gomes. “Há mais de 20 anos tivemos aqui um, agora há um mês e em Fiães também já houve dois”, lamentou a também dirigente sindical, garantindo que “o ritmo de produção é muito intenso.”A produção acontece dia e noite com ritmos de trabalho muito elevados”, garantiu.

Para além disso, diz Susete Gomes, “há assédio moral no trabalho, que leva muitas vezes a que alguns funcionários se sintam humilhados”. “Psicologicamente isto afeta alguns colegas”, acrescenta, explicando que “o material é cada vez mais pesado, existindo muitos problemas de tendinites e coluna”. “Às vezes, há problemas porque as pessoas nem raciocinam”, diz.

“Há dez anos, eu própria tive um acidente, uma empilhadora fez um pião e projetou-me e, para além de um ano de baixa, fui operada três vezes ao pé”, afirma.

Garantindo ter reunido com a administração da empresa, há cerca de dois meses, foi deixada a promessa “de investimento e melhorias na fábrica”. “A secção da ‘escolha’ é a pior. É pequena, as empilhadoras estão sempre ali e deixam os vapores do gasóleo e muito pó. As paletes ficam ali empilhadas”, conta Susete Gomes, opinando que “as cargas deviam ser feitas noutra secção e por homens”.

Durante todo o dia, os funcionários em greve foram, contudo, vigiando os dois fornos de vidrar e dois de chacota. Apesar disso, esta paragem de cinquenta trabalhadores, num universo de cerca de cem, “vai afetar a produção”, garantiu-nos a sindicalista.

Esta greve contou a presença do secretário geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional, Arménio Carlos, que, em declarações à SIC, disse que “é fundamental respeitar os direitos dos trabalhadores e proceder à atualização dos salários anualmente, que é coisa que aqui não se faz”, referindo-se à empresa do Travasso.

O «Bairrada Informação» tentou obter declarações junto da administração, contactando a fábrica de Fiães, mas, até ao momento, não houve nenhum “feedback” ao nosso pedido.

 

Mónica Sofia Lopes