A Câmara Municipal da Mealhada quer uma auditoria às contas da Associação de Carnaval da Bairrada, depois desta entidade ter pedido à autarquia para que fosse acionada a verba de vinte e quatro mil euros, prevista em protocolo, alegando “a não realização do desfile de domingo (11 de fevereiro), devido ao mau tempo”. Na reunião do executivo, que se realizou na manhã de ontem (24 de setembro), Rui Marqueiro, presidente do Município, adiantou também estar a ser ponderado “que a verba destinada às escolas de samba seja subsidiada diretamente pela Câmara”.

O relatório de gestão anual da Associação de Carnaval da Bairrada, de maio de 2017 a maio de 2018, teve um resultado líquido negativo no valor de 23.700 euros. Com o cancelamento do desfile domingo (do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada em 2018), devido ao mau tempo, o evento não obteve qualquer lucro nesse dia, tendo tido, contudo, na noite de segunda-feira, depois da organização ter realizado “contra-relógio” um desfile noturno. Mas essa noite resultou em 17.370 euros, valor muito aquém dos quase quarenta e um mil euros atingido no corso de domingo em 2017. Já em relação ao desfile de terça-feira, mesmo debaixo de alguma chuva, saiu à rua e resultou numa receita de 25.765 euros, superior à de 2017 que não chegou aos 19.500 euros.

Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, perante a realização de dois desfiles, entende “não haver razões para o pedido da verba de vinte e quatro mil euros”. “Como já assisti a ‘Carnavais’ positivos, estranho que dois ‘Carnavais’ consecutivos tenham dado prejuízo”, referiu o edil, adiantando que “vai ser pedida uma auditoria às contas” e que se estas garantirem “fiabilidade e autenticidade” será acionado o subsídio de vinte e quatro mil euros.

“Quero ter a garantia de que tudo está bem porque já houve anos em que houve incumprimentos fiscais e o Tribunal de Contas alertou a Câmara”, acrescentou o autarca, enfatizando que “face à receita de bilheteira e o subsídio que é disponibilizado pela Câmara, é estranho este prejuízo”.

Para além disso, Rui Marqueiro explicou ainda que “está a ser ponderada a decisão de ser a Câmara a subsidiar as escolas (diretamente)”. “Queremos promover uma reunião entre o executivo camarário e as escolas de samba para analisar esta questão”, referiu.

Uma declaração que levou Hugo Silva, da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, a questionar “se está dado o primeiro passo para a Câmara organizar o Carnaval”.

Em resposta, Rui Marqueiro garantiu que, de um modo geral, “as escolas estão insatisfeitas” e que o papel da Câmara junto delas evitará que “muitas vezes haja necessidade da sua presença e estas tenham contratos em outros locais, alegando terem que conseguir dinheiro para a realização dos desfiles do Carnaval”. Já sobre a função da ACB, Rui Marqueiro declarou que “a sua ação pode continuar…”.

Também Sónia Branquinho, vereadora da coligação, proferiu algumas palavras, alegando que “o Carnaval da Mealhada é o que tem o orçamento mais baixo em relação a outros eventos na região” e que, apesar disso, “é o de maior impacto turístico”.

Contactado pelo «Bairrada Informação», Alexandre Oliveira, presidente da direção da ACB, disse não ter “informação oficial de nada”, mostrando-se, contudo, e em declarações à agência Lusa, disponível “para colaborar em tudo”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia do desfile de 13 de fevereiro de 2018