Um cidadão da freguesia de Barcouço, no concelho da Mealhada, “queixou-se”, na tarde da  passada sexta-feira, da falta de transporte público no percurso que vai desde a referida localidade até à cidade de Coimbra. A suspensão, em vigor desde março passado, provoca descontentamento nos cidadãos e isso foi manifestado aquando de uma sessão pública da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra de apresentação do Plano de Mobilidade e Transportes.

“Barcouço sempre foi uma situação um bocado à parte do resto do concelho, uma vez que as pessoas fazem vida em Coimbra. Durante sessenta anos houve seis carreiras, muitas até à meia noite”, começou por dizer o munícipe, lamentando que “a empresa que fazia esse serviço o tenha suspendido desde 31 de março de 2018”.

“Era um serviço muito importante para a aldeia, mas a Transdev alega condições financeiras para não o fazer”, continuou, acrescentando que “decorreu um abaixo-assinado na freguesia subscrito por mil e duzentas pessoas e que foi enviado para os presidentes das Câmara da Mealhada e Coimbra”.

“Precisamos da reposição desse transporte e não entendemos porque é que os autocarros vão até Sargento-mor e não vão também a Barcouço”, continuou, questionando Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, “sobre o que está a ser feito”.

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Em resposta, o edil disse que “não foi preciso nenhum abaixo-assinado” para se movimentar. “Tenho feito de tudo junto de Jorge Alves (presidente dos SMTUC)”, enfatizou o autarca, referindo-se à entidade que faz o serviço até Sargento-mor. “Os SMTUC dizem que não fazem serviço fora do concelho de Coimbra e nós não mandamos neles”, rematou.

Mas o munícipe continuou: “E porque é que o serviço não vem até Santa Luzia, uma localidade que pertence às freguesias de Barcouço, Casal Comba e Souselas? Que argumento há para os autocarros não andarem mais mil metros?”.

Rui Marqueiro explicou que o facto de haver redes estipuladas pela Transdev e SMTUC dificulta o trabalho do Município da Mealhada. “Mesmo que quisesse colocar munícipes de Barcouço em Coimbra, com dinheiros do Município, não podia”, alegou.

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Presente na sessão esteve também João Duarte, presidente da Junta de Freguesia, que referiu que “Barcouço se depara com um problema grave, pois tinha um serviço de acesso ao centro urbano, que deixou de ter”. “As pessoas têm ido à Junta reclamar e a petição só tem mil e duzentas assinaturas porque não tivemos tempo de andar de porta em porta, caso contrário tinha mais de duas mil”, disse o presidente da Junta de Freguesia.

Também Jorge Brito, secretário executivo da CIM – Região de Coimbra, explicou que “o que está acontecer em Barcouço, acontece, por exemplo, em Roxo (Penacova) e em Condeixa”. “Os SMTUC só podem operar no seu território e a Transdev só faz carreiras sustentáveis, colocando em causa ‘o que faz sentido e a que horas o faz?’”, continuou, afirmando que “a Transdev pode fazer a rede que quiser”, mas relembrando, contudo, que um autocarro que vá a Barcouço e passe na Adémia implica “tirar clientes aos SMTUC”.

A “discussão” terminou com Rui Marqueiro a enfatizar que Jorge Alves “tem o abaixo-assinado, com pedido de audiência” e que no próximo conselho intermunicipal voltará a falar sobre o assunto ao presidente da Câmara de Coimbra.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura