Autarcas, técnicos municipais, representantes de várias entidades regionais de turismo e empresários ligados ao setor turístico reuniram-se na Mealhada, no âmbito do «II Encontro de Parceiros dos Caminhos de Fátima». O encontro terminou no terreno com a atividade «Nos Pés do Peregrino», que pretendeu, «in loco», perceber as maiores dificuldades que o peregrino do «Caminho do Centenário» sente.

A Mealhada é atravessada por diversos caminhos de peregrinação: o «Caminho do Norte ao Centro», de Valença a Fátima, e o Caminho de Santiago que é feito pela mesma rota, mas no sentido contrário; e o «Caminho do Centenário», de Vila Nova de Gaia a Fátima, que pretende ser uma alternativa a quem faz a peregrinação a Fátima, maioritariamente à beira do Itinerário Complementar 2, anualmente, pela altura do 13 de maio e 13 de outubro. A principal preocupação dos intervenientes neste encontro, promovido pela Associação Caminhos de Fátima, foi o de pensar estratégias para tirar os peregrinos do caminho feito junto à estrada, o que se torna também a maior dificuldade, uma vez que, por exemplo, em território do concelho da Mealhada, um peregrino que vá junto à antiga Estrada Nacional 1 faz 12,5 km; pelo Caminho do Norte faz 13 km; e no Centenário 18.

E foi por esta razão – de criar um itinerário complementar ao IC2 – que nasceu a Associação Caminhos de Fátima, tutelado pelo Centro Nacional de Cultura, atualmente com 15 Municípios e que tem como desígnios fundamentais «o fomento e a defesa dos Caminhos de Fátima em todas as suas dimensões, a ajuda ao peregrino e/ou caminhante e a defesa e promoção do património cultural dos Caminhos», sete a nível nacional.

«A nossa Associação quer trabalhar com o Centro Nacional, com respeito pela titularidade da marca, pelas suas regras de utilização e pela identidade que ela representa», afirmou Purificação Reis, presidente da Associação Caminhos de Fátima e vereadora na Câmara Municipal de Ourém, defendendo «uma marca que seja forte, coerente e reconhecida» e ambicionando, no futuro próximo, «representar a totalidade dos Municípios atravessados pelos Caminhos de Fátima (meia centena)».

Um dos momentos centrais da iniciativa, que se realizou durante todo o dia de quinta-feira, foi a assinatura de um acordo de colaboração entre a Associação Caminhos de Fátima, o Turismo de Portugal, o Centro Nacional de Cultura e as Entidades Regionais de Turismo, formalizando um compromisso conjunto para a valorização e promoção da rede. «Comprometemo-nos a coordenar e gerir a rede no território, em articulação com os Municípios e restantes parceiros; a recolher e sistematizar informação sobre os Caminhos e os fluxos de peregrinos; a colaborar na promoção e valorização da rede; a apoiar a sinalização, manutenção e monitorização dos percursos; e a desenvolver instrumentos de informação e comunicação dirigidos aos peregrinos», enumerou Purificação Reis, congratulando-se «com esta nova etapa, que “assina” um compromisso com todos».

A autarca defendeu ainda que «não basta ter caminhos, temos que valorizá-los e fazer com que os territórios não sejam apenas pontos de passagem, até porque cada Município tem uma identidade própria e uma experiência para proporcionar». «O Caminho leva o peregrino até ao município. O território dá-lhes razões para ficar», enfatizou.

Na sessão protocolar, os associados foram ainda informados de que a Associação está a preparar uma candidatura ao programa «Crescer com o Turismo», cujo projeto pretende atuar na qualificação dos percursos, conhecimento e monitorização dos peregrinos, melhoria da experiência, transformação digital, comunicação e promoção, nomeadamente na melhoria da sinalética, em assegurar segurança e valorizar o património.

 

Mónica Sofia Lopes