O presidente da Câmara da Mealhada, António Jorge Franco, defendeu ontem, na quarta edição do Fórum Económico das Beiras, organizado Câmara de Comércio da Região das Beiras, que decorreu em Luso, a necessidade «de uma ferrovia que ligue territórios, empresas, pessoas e mercados, ajudando assim a cumprir as metas europeias de descarbonização». O encontro colocou em debate a captação de capital, a diplomacia económica, a inovação, Inteligência Artificial e a abertura a novos mercados internacionais.

«O tema deste fórum coloca-nos perante uma questão essencial: como podemos preparar os nossos territórios para aquilo que aí vem?», começou por interrogar, retoricamente, o Autarca da Mealhada, defendendo que «na Mealhada entendemos que a resposta passa por criar condições. Condições para quem quer investir, para quem quer criar uma empresa, para quem quer gerar emprego e para que as empresas que já estão connosco possam crescer».

«A Mealhada tem uma localização que é, por si só, um ativo estratégico. Temos território, empresas, conhecimento, universidades, centros de investigação, pessoas qualificadas e capacidade industrial, mas precisamos de continuar a reforçar as ligações entre estes territórios», continuou António Jorge Franco, defendendo que «precisamos de uma ferrovia cada vez mais capaz de transportar pessoas, mas também mercadorias. Uma ferrovia que ligue territórios, empresas, pessoas e mercados».

«Queremos aumentar a nossa competitividade, atrair investimento e colocar a região Centro nas rotas globais. Precisamos de boas acessibilidades e se queremos, simultaneamente, cumprir as metas europeias de descarbonização, temos de ser capazes de transferir uma parte significativa do transporte para modos mais sustentáveis», disse ainda o presidente da Câmara da Mealhada, defendendo ainda que «a ferrovia não é apenas uma questão de mobilidade. É uma questão económica, ambiental e estratégica».

Num debate, muito centrado na integração da região Centro nas redes internacionais de capital e comércio, Ribau Esteves, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, afirmou que «hoje as CCDR sofreram uma radical mudança, num processo de reforma notável em Portugal, com o Governo a entregar-nos um conjunto de competências nas áreas da Cultura, do Ambiente, Agricultura, Educação e Saúde». «Da minha parte, não quero saber em que ponta estão os Municípios. Quero saber das dificuldades e das oportunidades porque é por aqui que podemos aumentar os índices de regionalização», enfatizou, garantindo que, no que toca aos programas comunitários, «as câmaras municipais e as comunidades intermunicipais são as melhores entidades de gestão».

O encontro funcionou ainda como rampa de lançamento para a missão empresarial Beiras Business Export ao Reino Unido, um programa que «pertence às nossas empresas, autarquias e universidades», disse Ana Correia, presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, garantindo que esta entidade quer «ser a porta do capital nas Beiras. Queremos maior produtividade, melhores salários e um ecossistema forte e competitivo, para que no final possamos internacionalizar empresas, atrair investimento e projetar-nos mundialmente».

Do programa constou ainda a assinatura de um Protocolo de Cooperação entre a CCRB e o IAPMEI, visando a criação de mecanismos diretos de apoio ao financiamento, desenvolvimento regional, turismo e capacidade exportadora do tecido empresarial local.

 

Mónica Sofia Lopes