O diretor do Agrupamento de Escolas da Mealhada, Fernando Trindade, disse, ontem, na receção municipal à comunidade educativa, que «cada vez menos se fala em Educação», mostrando-se preocupado com os efeitos negativos da inteligência artificial e do telemóvel, quando mal utilizados. «A linguagem tem sido maltratada a vários níveis e temos atualmente uma geração com o Q.I. (quociente de inteligência) mais baixo do que as anteriores», lamentou, na cerimónia, que juntou, no Cineteatro Messias, centenas de profissionais ligados ao setor da educação no concelho da Mealhada sob o mote «Vamos continuar a sonhar?».
«Tem se falado muito pouco de Educação e, sonhos à parte, o que me parece é que o momento é de combate», começou por dizer Fernando Trindade, avançando que «a atual geração tem o Q.I. mais baixo do que as anteriores, mesmo com tudo aquilo que se sabe sobre alimentação, vitaminas, etc. Alguma coisa estará errada para que isto aconteça». «Na última década, quando comparada com as anteriores, nunca foi tão fraca a compreensão e informação sobre o mundo à nossa volta», destacou ainda, afirmando que «a linguagem tem sido maltratada a vários níveis».
«As gerações passadas cresceram a ler, a contar e a escrever na escola e fora dela. Hoje não se faz isso, não há repetição», enfatizou, lamentando que «os pais estejam preocupados com tanta coisa que acontece no espaço escolar e depois dão um telemóvel para as mãos dos filhos, tratando-se de uma “arma” que as crianças usam e não é para o melhor». «Não sou flexível a isto e é preciso que se perceba que as crianças em casa estão fechadas em quatro paredes, mas estando ao telemóvel, estão fora dela», defendeu, considerando que a solução passa «por ensinar-se primeiro a utilizar os telefones espertos e só depois a usá-los, da mesma forma que ninguém conduz sem tirar a carta».
Preocupação que estende à utilização da inteligência artificial. «Ajuda-nos imenso e poupa-nos tempo, contudo, quando uma criança ou aluno não a utiliza para aprender, mas para fazer por ele, as coisas tornam-se difíceis», referiu, concluindo que «em África, com palhotas, está-se a aprender melhor do que no Ocidente».
Num discurso mais animador, Carlos Sousa, diretor da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, começou por dizer que «na EPVL continuamos a sonhar todos os dias porque é assim que a obra acontece», destacando alguns projetos da instituição de ensino. «Vamos continuar a bater à porta das Juntas de Freguesia e das instituições para que a nossa semana da Cidadania seja cada vez mais ativa; e a apostar no contacto com o livro e com a escrita», referiu, destacando que «a escola está agora mais equipada com o novo centro tecnológico, num investimento de mais de um milhão de euros, que pretendemos que esteja ao serviço de toda a comunidade, através dos seus equipamentos audiovisuais e impressoras 3D». Para além disso, garante Carlos Sousa, «a EPVL está empenhada em que os alunos aprendam através da resolução de problemas, trabalhando em projetos integrados».
«Um novo ano letivo é sempre um recomeço e é o tempo de novos desafios, novas aprendizagens e novos encontros», afirmou António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, explicando que «a educação é uma prioridade municipal, no sentido de serem criadas sempre as melhores condições para todos». «O investimento na Educação não se mede em valores e em edifícios, o que realmente importa são os alunos e o seu futuro», disse, defendendo «um trabalho conjunto entre todos». «Temos (Câmara) uma relação próxima com as comunidades educativas e o foco é sempre o de encontrar, em conjunto, as melhores soluções para os problemas».
Mónica Sofia Lopes

























