O Parque do Lago em Luso, no concelho da Mealhada, tem uma nova oferta, totalmente gratuita, que mostra, através de uma caminhada sonora, uma perspetiva do espaço, mais imersiva para os utilizadores que o queiram experienciar. A novidade do «audiowalk» foi concebida pela artista Joana Gama.
Imagine estar num local, onde nunca foi ou por onde passa todos os dias, e poder olhar para ele de uma maneira totalmente diferente, com recurso apenas à tranquilidade do espaço e ao telemóvel e aos auscultadores de cada utilizador. É disto que se trata a nova oferta do Parque do Lago em Luso, que propõe um percurso guiado por texto e música, levando os participantes a observar atentamente a fauna, a flora e os pequenos detalhes da paisagem que habitualmente passam despercebidos.
«A convite do Cineteatro Messias, surgiu esta ideia de fazer cá uma residência artística para assim poder criar esta caminhada sonora», começou por dizer, ao nosso jornal, a pianista Joana Gama que, durante uma semana, no passado mês de junho, fez do parque e da vila de Luso, literalmente, «a sua casa». «Temos muito aquela sensação de que o melhor e o que nos tranquiliza é pegar num avião e ir conhecer novos sítios, mas muitas vezes estamos nos “nossos” lugares e não olhamos com a devida atenção. No fundo, esta experiência permite-nos ver este espaço de uma maneira bem diferente, mais tranquila e com conhecimento do que nos rodeia».
Para Joana Gama, natural de Braga, «uma pessoa que venha a este parque todo o ano, vai ver a mesma árvore em estados diferentes, mediante a estação do ano». Não é por isso de estranhar que a artista sinta, apesar de ali ter passado uma semana sem sequer pegar no carro, que «o tempo foi pouco para conhecer ainda mais profundamente».
A meio do percurso, que tem a duração de 45 minutos, pode ouvir-se um poema de Alberto Caeiro, que inicia com: «Quando vier a primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira. E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim». «Quando estive em residência, passava aqui muito tempo, mas simultaneamente ia escrevendo o guião e a base do texto, que foi gravada, recentemente, neste “audiowalk”, que a partir de hoje está disponível», explicou a jovem pianista, que garante que, «cada vez mais, tento aprender coisas que nos fazem bem, acalmam e tranquilizam. Só desta forma consigo transmitir isso também».
O percurso pode ser feito como cada visitante entender – sozinho, em grupo ou em família -, bastando aceder ao QR Code instalado no local, junto à entrada do lado da Piscina de Luso. Na manhã do passado domingo, a Autarquia da Mealhada lançou o desafio a quem quisesse ter esta experiência junto da autora deste «audiowalk» e foi, nesse momento, que o nosso jornal encontrou Diogo Mendes, de 23 anos, oriundo de Lisboa. «Vim em família passar o fim-de-semana a Coimbra e os meus sogros, que são muito ligados à cultura e a vivenciar este tipo de experiências novas, desafiou-nos a virmos até aqui e, de certa forma, a termos esta ligação com a Natureza», disse-nos o jovem, garantindo estar a ser «um momento de calma e tranquilidade».
«Gostei muito do poema que ouvi e do que a artista nos vai desvendando ao longo do percurso. É diferente e tem muita profundidade», acrescentou ainda, referindo «ser a primeira vez que visita o Luso e que tem também uma experiência imersiva deste género».
Mónica Sofia Lopes



























