A Câmara de Anadia inaugurou, esta sexta-feira, o Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), que está instalado no segundo piso do Edifício de Proximidade, Loja do Cidadão, assegurando atendimento às quintas e sextas-feiras, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. Ontem, o Autarca de Anadia mostrou-se orgulhoso «dos cerca de três mil migrantes que escolheram o nosso concelho para residir».

«Regularização da situação migratória, retorno voluntário, nacionalidade, emprego, empreendedorismo, habitação, apoio social, saúde, educação, formação profissional e reagrupamento familiar» são os serviços públicos, gratuitos, de apoio, informação e atendimento personalizado aos cidadãos migrantes que se podem encontrar no CLAIM de Anadia. «Somos cada vez mais cidadãos do mundo e Anadia quer precisamente preparar-se e adaptar-se a esta globalização. Queremos cidadania plena para quem escolhe Anadia para viver e se sinta tão anadiense como quem cá vive», começou por referir Jorge Sampaio, presidente do Município de Anadia, acrescentando que «o concelho conta com cerca de três mil imigrantes, sendo que só o Agrupamento de Escolas tem seiscentos alunos de quarenta e três países diferentes; e a Escola Profissional cento e oitenta alunos de onze países diferentes». «Esta é a maior riqueza que podemos ter, o da multiculturalidade, em que podemos integrar e receber bem, e perceber os direitos e os deveres que têm», enfatizou o edil.

«Só temos vantagens em ter estes cidadãos connosco e, desde que cumpram com as devidas regras, é um privilégio para o nosso concelho», disse ainda o autarca, explicando que o CLAIM «será a verdadeira porta de entrada» e ajudará na integração «em diversas dimensões», com destaque para «a cultural e a linguística».

Criado em articulação com a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), também ontem foi assinado um protocolo de cooperação entre esta agência e o CLAIM de Anadia, que faz agora parte dos 160 que existem pelo país e nas regiões autónomas, segundo dados de Pedro Gaspar, presidente do conselho diretivo da AIMA.

Presente na cerimónia esteve também o secretário de Estado Adjunto da Presidência e Imigração, Rui Armindo Freitas, que felicitou «o Município pela ousadia de terem um CLAIM», recordando que «em 2024 quando chegou ao Governo o cenário da imigração era diferente. Havia pessoas que estavam cá há quatro anos e o seu processo ainda nem tinha sido mexido. E estamos a falar de 440 mil pessoas, nessa altura, nesta situação». «Num ano e meio fizemos 700 atendimentos e, destes, 98% das manifestações de interesse ficaram resolvidas», destacou, explicando que «ultrapassadas as questões agudas de documentação, começa depois o caminho para alguém se conseguir estabelecer em Portugal e estamos a trabalhar no caminho dessa integração, onde os CLAIM terão um papel fundamental».

Para o representante do Governo «a imigração é um contrato de fé». «Hoje é impensável olharmos para o nosso país sem imigração e, por isso, o papel do CLAIM e da AIMA serão fundamentais, porque são o primeiro contacto dos imigrantes com os serviços do Estado. Com estas organizações vamos ajudar a criar uma sociedade mais coesa, de forma estruturada», declarou Rui Armindo Freitas, explicando ainda que «a nacionalidade em Portugal vai deixar de ser por conveniência e passar a ser por pertença. Nenhum imigrante vai querer ser cidadão nacional para ter os seus direitos, mas tenho a certeza que ao fim de dez anos de cá estar, vai querer ser cidadão português».

 

Mónica Sofia Lopes