A Coimbra iTEC – Associação para a Inovação e Tecnologia da Região de Coimbra – lançou, na Mealhada, o ciclo «TertullAs 2026» com a primeira sessão (de um total de quatro que se realizarão na região), dedicada ao tema «Automatização e Sensorização na Indústria», que aconteceu nas instalações da Measindot Engineering, na Zona Industrial da Pedrulha, em Casal Comba. A iniciativa, que reuniu representantes dos meios académico, empresarial e institucional para debater dois pilares essenciais da Indústria 4.0 – automatização e sensorização -, foi aproveitada pela empresa anfitriã para consumar um protocolo com o Instituto Politécnico de Coimbra, que permitirá parcerias entre as duas entidades.

O ponto alto da iniciativa foi a apresentação de José Luís Nunes, Professor no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, com «Processos de Automatização e Sensorização na Indústria 4.0», que abordou as tecnologias que permitem a recolha de dados em tempo real, a otimização de processos e o aumento da eficiência, produtividade e qualidade das operações, exemplificando com o caso prático de Ventilação Mecânica Controlada. Nas vantagens competitivas da automatização, José Luís Nunes destacou «a redução de erros humanos, eficiência operacional, a segurança reforçada e a rastreabilidade total»; nos benefícios, os pontos fortes são «a qualidade consistente, a eficiência energética, evitar o desperdício e melhorar a competitividade da empresa»; e nos desafios «os custos de investimento, formação e resistência à mudança cultural e ainda a cibersegurança».

Os cerca de vinte participantes na sessão realizaram uma visita guiada às instalações da Measindot – que em breve serão alargadas num investimento de cerca de três milhões de euros – conduzida pelo seu CEO, Carlos Couceiro, que permitiu «conhecer de perto a aplicação prática de soluções de automatização e sensorização em contexto industrial». «Se queremos agarrar desafios temos de ser mais competitivos e a empresa onde estamos recorreu às tecnologias para alavancar o seu negócio», congratulou Hugo Serra, presidente do Conselho Empresarial da Região de Coimbra. Carlos Couceiro destacou «não ter despedido ninguém devido à colocação de robots na empresa» e que «aquilo que achava que não funcionaria, hoje é essencial para o desempenho».

O evento contemplou, ainda, a assinatura de um protocolo de colaboração entre o IPC e a Measindot, que visa reforçar a convergência entre o ensino superior e as necessidades do tecido empresarial. O acordo contempla a promoção da transferência de conhecimento entre a academia e as empresas, o desenvolvimento de oportunidades de estágio e empregabilidade para estudantes, a dinamização de ações conjuntas de formação e capacitação, bem como a colaboração em projetos de investigação, inovação e outras iniciativas que reforcem a missão de ambas as entidades. «O IPC tem um conjunto alargado de iniciativas e estamos disponíveis para formação à medida e integração de estagiários nas vossas empresas, com o objetivo de que se possam fixar na região», disse, aos restantes empresários presentes, Cândida Malça, presidente do IPC.

A sessão de encerramento esteve a cargo de Georgina Morais, presidente da Coimbra iTEC, que destacou o papel deste ciclo de conferências na promoção do conhecimento, da inovação e da articulação entre os diferentes agentes do ecossistema regional.