«Os Municípios não estão a aproveitar para se promoverem com a atividade desportiva que muitos têm e que arrasta milhares de pessoas todos os fins-de-semana», referiu, ontem, Jorge Sampaio, em representação do Turismo Centro de Portugal, na conferência «Desporto & Turismo – Sinergias para o Desenvolvimento Territorial», que se realizou na Mealhada. Com o foco no turismo desportivo, a sessão começou com uma «aula» sobre Inteligência Artificial e do quanto os concelhos estão a perder ao não a usarem para se promoverem.

«O desporto é mais do que competição. É estratégia territorial, é política pública estruturante e é um ativo determinante na afirmação do nosso concelho», começou por dizer António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, acrescentando que «nos últimos anos, o Município tem feito uma aposta na qualificação das infraestruturas desportivas, na modernização de equipamentos, na melhoria das condições de treino e de competição e na criação de espaços que respondam às necessidades da população local e às exigências de seleções e atletas nacionais e internacionais».

O autarca congratulou ainda o facto de «mais do que infraestruturas físicas, criámos um verdadeiro ecossistema desportivo, articulado com clubes, associações, escolas e agentes económicos, contribuindo assim para a saúde pública, para a coesão social e para a formação dos nossos jovens». «Cada competição gera notoriedade, cada atleta que aqui treina torna-se embaixador da Mealhada e cada família que o acompanha descobre o que temos para oferecer», enalteceu.

Mas para Jorge Sampaio, do Turismo Centro de Portugal e também presidente na Câmara de Anadia, os municípios podem fazer mais. «Todos os fins-de-semana são milhares de famílias que saem do seu local de residência para outros concelhos por causa da atividade desportiva e nós não estamos a aproveitar para nos promovermos e divulgar-nos. Temos que aproveitar a oportunidade de ser destino para milhares de pessoas, todos os fins-de-semana», disse, garantindo que «eventos e estágios nacionais e internacionais cada vez têm mais peso no turismo desportivo. A Mealhada é um bom exemplo disso com excelentes infraestruturas desportivas e unidades hoteleiras».

Palavras corroboradas por Pedro Soares, dos Municípios Amigos do Desporto, entidade parceira na conferência, que deu algumas dicas do que está a ser feito: «Ajudar na criação de Gabinetes de Prescrição do exercício físico, social e cultural; incentivar à criação de conselhos municipais do desporto; e criação de documentos técnicos, através das vossas candidaturas, com a ajuda da IA».

O nosso jornal assistiu ainda ao painel «Território Inteligente: IA e Marketing a Potenciar o Turismo Local» com Hugo Teixeira Francisco, do Grupo Portugal Green Travel». «Nos próximos quatro anos, o ChatGPT (Gemini ou Perplexity) vai ter tantas pesquisas como o Google e andamos a disfarçar que isto não está a acontecer», declarou, explicando que «temos falta de existência digital estruturada. Comunicar não é ir ao Facebook colocar posts. Hoje, comunicar é alimentar algoritmos e conseguir ter informação para que as máquinas consigam ler».

«A IA aprende com websites, artigos, reviews, dados estruturados e conteúdos consistentes. Não aprende com brochuras, sites desatualizados e posts. Os três pilares fundamentais da estratégia é ter dados, uma narrativa (que se recomendam histórias) e presença digital (conteúdo consistente e sistemático)», disse ainda Hugo Francisco, rematando que «o importante não é se o território é bom ou mau, é se a IA sabe que ele existe».