Paulo Tocha, ator português de filmes de ação – onde se inclui ter contracenado com Van Damme – e campeão de Muay Thai na Tailândia, esteve em vários locais da região de Coimbra – Arganil, Figueira da Foz, Mealhada, Luso e Bussaco -, incluindo ter ido pela primeira vez à Praia da Tocha, onde tem raízes longínquas familiares e uma forte memória de ouvir o seu pai falar muitas vezes deste local. O primeiro contacto com a região foi através de Paulo Fajardo e Daniel Louro, mentores do VHS e residentes na região da Bairrada, um podcast sobre cinema, conduzido por ambos, tendo a relação passado para algumas visitas, onde o também produtor enaltece, ao nosso jornal, «a gastronomia, as pessoas e as paisagens».
A referência à Tocha surge de histórias que o pai de Paulo Tocha lhe contava, quando viviam em Moçambique, local de onde saíram após a revolução do 25 de Abril, tendo crescido na África do Sul, Tailândia e Hong Kong, altura em que, aos 20 anos, começa a praticar Muay Thai e, posteriormente, dada a sua prestação nesta arte marcial começa a integrar produções cinematográficas. No final dos anos 80 o cinema leva-o até Los Angeles e aposta nesta carreira tendo trabalhado com realizadores de renome, como Taylor Hackford, Kathryn Bigelow, James Cameron, Michael Mann, Robert Zemeckis e David Fincher.
Entre Hong Kong e Hollywood, Paulo Tocha foi ator, duplo, coreógrafo de cenas de luta e instrutor de artes marciais. Contracenou com Jet Li, Jackie Chan, Olivier Gruner, Gary Daniels, Don Wilson, Casper Van Dien, Lorenzo Lamas, Michael Paré, Jeff Wincott, Christopher Lambert, Brian Bosworth e com Van Damme em «Bloodsport – Força Destruidora», onde interpreta o personagem de «Paco», um filme visto por bilhões de pessoas de todo o mundo, ao longo dos anos. Em duas produções diferentes, lesionou-se e reinventou-se, passando para os bastidores, estando a produzir documentários que já o levaram a contextos de guerra, artes marciais e prisões de máxima segurança.
«Em Bancoque aprendi muito com o budismo e a resiliência no perder na arte marcial. “Perdes, next!”, é sinal que ganhaste uma experiência e é isso que faz oum lutador. Temos de crescer muito espiritualmente para sermos bons», referiu, ao nosso jornal, Paulo Tocha, recordando o facto de ter sido «o primeiro campeão (Muay Thai) na China». «Quando comecei a fazer filmes internacionais, em Hong Kong, muito ligados ao Kung Fu, Karaté e Taekwondo, comecei a meter os movimentos do Muay Thai, sendo muito bem acolhido pelos produtores. Estamos a falar de lutas verdadeiras, reais», explica, recordando o seu primeiro grande filme, com um papel principal em que contracenou com Jet Li.
Mas foi em «Bloodsport» que a sua carreira cresceu. «Van Damme era especial nas artes marciais, mas não era lutador. Eu era lutador de ringue e quiseram-me como ator neste filme. Tudo o que fizemos nas cenas era verdadeiro, até os calções utilizados em Muay Thai. Isso mudou a forma de ver esta arte marcial no mundo ocidental e na América», congratula, confessando que já depois em Hollywood «nem tudo foi fácil, mas estudei muito e trabalhei para conquistar todos os papéis que tive», em cerca de 60 filmes.
Há dez anos que vem anualmente a Portugal, mas só nos últimos meses conheceu a região de Coimbra. «Isto tem uma energia diferente daquela que sinto em Lisboa ou no Algarve. Gosto de tudo, das estradas, das pessoas, de ver tudo limpinho e de comer leitão», elogia, depois de um dia passado na vila de Luso e na Mata Nacional do Bussaco, onde adquiriu produtos regionais e contactou os locais, levando-o a ser perentório em afirmar que mudar-se para Portugal «está nos planos» e até quem sabe «aqui produzir um filme».
Público entusiasmado com o facto de o ator ser português
Para Paulo Fajardo, um cinéfilo por natureza, o contacto com Paulo Tocha é algo que transcende «os sonhos». «Cresci a ver os filmes de ação onde participava e não fazia a mínima ideia de que era português, pois sempre interpretou personagens hispânicas (algo que Paulo Tocha adquiriu com cursos de espanhol e espanhol mexicano e cubano, traduzindo-se num profundo conhecimento do idioma, nomeadamente o calão das diferentes zonas)», desvenda, explicando que o conheceu através do podcast VHS, «em que gravamos, ao vivo, em Lisboa, e a repercussão deste episódio está a ser enorme precisamente pelo facto de as pessoas desconhecerem que era português».
«Ter-me dito que tinha origens na Praia da Tocha foi a cereja no topo de bolo e consegui que cá viesse, precisamente num local onde passei tantas férias também», centena Paulo Fajardo, que aquando de uma passagem recente de Paulo Tocha em direção a Arganil, para dar uma formação de Muay Thai, «estendi-lhe o convite para vir a Mealhada e foi muito bom». «Comeu leitão, comprou doçaria conventual e vinhos. Passeou pelo Luso e, no Bussaco, foi à Cruz Alta, ao Convento e ao Palace», enumera, confessando «ser um sonho tornado realidade. Tem sido uma honra conhecer o Paulo Tocha, que eu via desde sempre no grande ecrã».
Mónica Sofia Lopes




























