A Associação Vida e Resgate da Mealhada, criada recentemente, tem levado muitos dos seus serviços, nomeadamente o de terapia assistida por animais, a lares e estabelecimentos de ensino da região. O nosso jornal acompanhou um desses momentos, em que dois cães, treinados para busca e salvamento, estiverem num momento de convívio com mais de uma dezena de crianças, dos três aos seis anos, do Jardim de Infância de Murtede, no concelho de Cantanhede, um procedimento que se repete a cada quinze dias.
Passeios de cães, que promove a socialização e bem-estar a animal; Táxi Dog, transporte seguro de cães; busca e salvamento de pessoas, com localização e resgate; resgate animal, com socorro e proteção de animais; terapia assistida por animais, terapias com cães para crianças, doentes e idosos; treino canino, com aulas e formações com cães; apoio social, com assistência a pessoas carenciadas; e apoio em catástrofes, com ajuda imediata em situações de emergência; são muitos dos serviços disponíveis pela Associação Vida e Resgate, sedeada no concelho da Mealhada.
Acompanhamos um desses momentos com crianças do Jardim de Infância de Murtede, do Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva, de Cantanhede, onde os cães Cuca e Luna, designados pelos meninos como os «Amigos Patudos», proporcionaram mais um momento lúdico neste estabelecimento de ensino. «Esta iniciativa começou no início do ano letivo porque nós entendemos que o convívio com os animais, neste caso com cães treinados para lidar com pessoas, promovem integração e melhoria no desenvolvimento. Temos aqui três crianças com necessidades educativas especiais e veja-se esta moldura em que todas estão felizes e a participar na atividade», referiu Paulo Fonseca, da Associação de Pais do Jardim de Infância de Murtede, congratulando «o grande benefício que as crianças têm, nestas tardes, em que estamos a aproveitar um recurso disponível, tão perto de nós».
Para as crianças, o momento com os cães é de felicidade e descrevem-no essencialmente pelos momentos carinhosos que têm com os animais. «Fazem-nos carinhos e nós damos miminhos» e «gosto dos pelinhos e de estar abraçadinha a eles» são muitas das frases que ouvimos das crianças.
Para a educadora desta escola, a atividade «tem sido uma mais valia, com as crianças a manifestarem grande à vontade com os animais, já com o conhecimento de que estes são diferentes de todos aqueles que vamos encontrando nos passeios que fazemos na rua, uma vez que são treinados». «Apesar de não estarmos num contexto de cinoterapia, as experiências que esta associação nos tem trazido têm sido essenciais, especialmente para crianças com mais dificuldades na sociabilização», explica ainda, exemplificando que «uma atividade de busca, feita na rua, foi algo muito marcante para todos».
«Estas crianças estão emocionalmente mais abertas, depois destes contactos com os animais, as que tinham medo, perderam-no totalmente. A criança solta-se, cria empatia e permite afetividade, sendo o animal o mediador desta relação», congratula ainda a educadora, desvendando que, na última sessão, antes do Natal, «os meninos ofereceram ossinhos à Cuca e à Luna. É muito bom ver esta relação».
Da parte da Associação Vida e Resgate da Mealhada, o balanço não podia ser mais positivo. «Fazemos workshops, com perguntas e respostas; demonstrações de busca e salvamento; mostramos a obediência do cão; e de como as crianças devem interagir», explica, ao nosso jornal, Marco Silva, acrescentando que «as crianças ficam felizes de interagirem com os cães, que estão domesticados para estas situações, não reagindo quando são pisados ou lhes puxam o rabo. São momentos de convivência e empatia».
Mónica Sofia Lopes





















