A população da freguesia da Vacariça organizou-se e levou a cabo uma vigília, ao final da tarde de ontem, contra o encerramento da Extensão de Saúde do Polo da Vacariça, anunciado recentemente pela Unidade de Saúde Familiar Caminhos do Cértoma, para os próximos dois meses. No local, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, levou a «boa-nova» da ARS Centro de que a unidade «não vai fechar»; e a enfermeira da USF Caminhos do Cértoma, Fátima Cruz, a informação, por parte do ACES Baixo Mondego, de que a Extensão da Vacariça «tentará, uma vez por semana, estar aberta durante um período».

Dezenas de pessoas aglomeraram-se ontem, à hora marcada, junto à Casa do Povo da Vacariça, local onde funciona a Extensão de Saúde. O mote para a vigília prendeu-se com um aviso da USF Caminhos do Cértoma, de que «a partir do dia 14 de junho, e durante os meses de Julho e de Agosto, o Pólo da Vacariça irá estar encerrado», apelando aos utentes «com consultas agendadas para este período» que se desloquem «à sede (Pampilhosa) no horário marcado».

E, por isso, ontem, reivindicaram «melhores condições de acesso à saúde» para a população da Vacariça. «Não podemos fechar uma Extensão de Saúde com nove localidades e 1900 utentes, em grande parte pessoas idosas», defendeu Rui Peralta, o mobilizador da vigília, acrescentando que «muitas das pessoas não têm transporte para ir até à Pampilhosa» e que, para além disso, «as reformas são baixas para irem de táxi». «A população é idosa, mas está aqui em peso, porque precisa mesmo disto», enfatizou.

Presente na mobilização esteve Rui Marqueiro que explicou que um dos motivos que levou a Autarquia a não aceitar a competência da descentralização na área da saúde, em 2019, foi o facto «do decreto-lei se referir a quatro Extensões e não mencionar a da Vacariça, o que significaria a sua supressão». «Dissemos que não a esta competência», sublinhou o autarca, adiantando que quando tomou conhecimento do encerramento da Extensão, telefonou para a presidente da ARS do Centro, com a qual reunirá amanhã, que lhe disse que «a Extensão de Saúde da Vacariça não vai fechar, podendo abrir um dia por semana».

Alguns dos utentes consideraram ser «pouco», mas Rui Marqueiro recordou que, neste momento, esse fator se prende «com a vacinação por covid-19», uma tarefa que diz «dificultada muitas das vezes, não pela falta de vacinas, porque há vacinas, mas pela falta de organização ao nível administrativo».

Declarações corroboradas por Fátima Cruz, enfermeira da USF Caminhos do Cértoma, que a pedido do diretor executivo, Luís Biscaia, e da presidente do conselho clínico e da saúde, Almerinda Marques, do ACES Baixo Mondego, trouxe a novidade «de que a Vacariça tentará estar aberta um período por semana, possivelmente nas manhãs de quarta-feira». «A situação não é fácil por causa do trabalho no Centro de Vacinação Covid-19, mas o dr.º Rui Ribeiro – do conselho técnico da USF Caminhos do Cértoma – já está a tentar encontrar dois enfermeiros reformados que possam dar apoio no CVC», acrescentou ainda, garantindo que a lacuna maior no serviço «é a falta de administrativos».

Sobre este tema, o PCP manifesta, através de um comunicado, que a USF Caminhos do Cértoma já mereceu por parte do partido “várias intervenções a nível local, mas também ao nível da Assembleia da República. Graças a esta intervenção foi possível aliviar um pouco a falta de assistentes operacionais. Mas este alívio está muito aquém do necessário como está à vista. O quadro de pandemia não pode justificar tudo. A contratação de mais pessoal e, sobretudo, pessoal administrativo é inadiável sob pena das populações se sentirem cada vez mais abandonadas”.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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