A AD ELO – Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego em parceria com os municípios de Cantanhede, Figueira da Foz, Mealhada, Mira, Montemor-o-Velho e Penacova assinaram, recentemente, um «Memorando de Entendimento» para constituição de um «Geoparque» denominado de «Atlantic Geopark» – «Geoparque do Atlântico», com a intenção de poder vir a ser reconhecido e integrado na rede de «Geoparques Mundiais da UNESCO». O assunto foi analisado na última reunião do executivo da Mealhada e, segundo Rui Marqueiro, presidente da Autarquia, será no Bussaco que «estarão as camadas geológicas mais antigas», que remontam «a 500 milhões de anos».

No memorando de entendimento, os principais intervenientes defendem a abrangência da constituição de um Geoparque a vários municípios – inicialmente só a Figueira da Foz fazia parte da candidatura -, destacando «a existência de uma linha cronológica de um período de cerca de 500 milhões de anos de geo-história, assente numa rede de geossitios de importância nacional e internacional», que vai desde o “Cabo Mondego” à “Livraria do Mondego”; bem como, a «existência de uma rede de recursos culturais e patrimoniais de importância assinalável», nomeadamente, o «Castelo de Montemor-o-Velho», o «Museu da Pedra», o «Museu do Território da Gândara» e a «Mata do Bussaco».

Nuno Canilho, vereador na Câmara da Mealhada e responsável pelo pelouro da Cultura, não tem dúvidas de que «este é o programa e projeto mais estruturante para o concelho da Mealhada na próxima década». «Não adoro esta solução de nome – “Geoparque do Atlântico” -, mas acontece que é no Cabo do Mondego que há a evidência do momento de rutura que dá origem ao Oceano Atlântico e, por isso, os especialistas entenderam que faria todo o sentido alicerçar o projeto a uma marca já forte», referiu o autarca, dando a conhecer ainda que «a mais antiga espécie botânica com flor foi descoberta neste nosso território, assim como a primeira pegada de dinossauro». «Há um conjunto de aspetos que podem ser potenciados», referiu ainda.

Para a primeira fase do processo (organização do processo de candidatura ao reconhecimento do «Atlantic Geopark» – «Geoparque do Atlântico»), que vai de 2021 a 2024, cada município cofinanciará com cerca de 70 mil euros. Um valor questionado por Sónia Branquinho, da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada»: «Reconhecemos o benefício do projeto do ponto de vista turístico e da geopaisagem, mas relativamente à participação das Autarquias, não sei se é lógico e justo que seja dividida, em partes iguais, por todos os municípios». «Qual foi o critério para todos terem a mesma participação financeira?», questionou a vereadora.

Rui Marqueiro defendeu ser esta «mais uma frente» na qual a Autarquia trabalha, integrada «num território que pretende ser reconhecido internacionalmente a nível geológico e que, somado a toda a riqueza do Bussaco, da natureza dendrológica, à arquitetónica e histórica, com enfoque nas invasões francesas, pode trazer dividendos à nossa região». «Estamos todos solidários quanto a esta divisão do valor», referiu.

Até 2024, o projeto prevê o «inventário do património geológico»; «identificação e inventário de infraestruturas»; «participação em eventos nacionais e internacionais de interesse ao geoparque»; «desenvolvimento de plano de comunicação, produção de materiais de divulgação, criação e elaboração de materiais pedagógicos»; «definição de uma estratégia de desenvolvimento local e de um plano de ação para a implementação do geoparque»; e «elaboração, submissão e acompanhamento do dossier de candidatura à Comissão Nacional da UNESCO».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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