O reforço para 2021 de apoio às freguesias «no quadro da promoção e salvaguarda dos interesses das populações» foi aprovado na última Assembleia Municipal da Mealhada, com as bancadas dos partidos da oposição a lamentarem a forma equitativa como a verba foi distribuída, defendendo que os territórios são diferentes.

O reforço tem um valor total de 120 mil euros, o que representa 20 mil para cada uma das seis Juntas.  «Uma verba fixa de 20 mil euros, independentemente dos territórios, numa proposta que não é acompanhada de fundamentação», referiu João Louceiro, da bancada do PCP, corroborado pela deputada Ana Luiza Cruz, do Bloco de Esquerda, que afirmou: «Também nos admiramos por ver a União de Freguesias a receber o mesmo valor das outras freguesias. A realidade de cada uma não é igual certamente».

Luís Brandão, da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada», declarou que a bancada iria votar favoravelmente, «porque as Juntas precisam». «Mas com sentido de justiça devemos tratar de forma diferenciadora as situações que são diferentes. Nem sempre todos os presidentes de Junta concordam com isto», referiu o deputado municipal, lamentando que «o executivo não apoie mais as freguesias com um plano concreto».

Em resposta, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, garantiu que foi uma «decisão unânime dos senhores presidentes de Junta» que, relativamente ao reforço, «optaram por uma distribuição equitativa». «Isto não é nada fácil e temos consciência de que há freguesias com mais espaços verdes e mais áreas de limpezas, mas as particularidades são tão grandes que não há uma regra que satisfaça todos», refutou o edil.

Na sessão foi ainda aprovada, por maioria – com os votos contra da coligação e as abstenções do BE e PCP -, a proposta de «adenda ao contrato de empréstimo (que pode ir até dois milhões de euros) de médio e longo e prazo», depois do Tribunal de Contas ter pedido alguns esclarecimentos. «As questões do Tribunal de Contas foram inúmeras e têm a ver com justificações técnicas e mapas relativos à instrução», explicou a Chefe da Divisão Financeira da Autarquia, que acrescentou que «em algumas questões poderíamos não estar de acordo, mas os sectores jurídicos da Caixa e da Câmara resolveram fazer esta adenda, esperando que fique resolvido».

Tudo indica que a verba tenha como destino um novo edifício da Câmara Municipal, explicando Rui Marqueiro que o município tem «diversos serviços – como a Gestão Urbanística, Ação Social e Administração do Território, por exemplo – espalhados pela Mealhada e quando há situações de interdependência andamos a correr de um lado para o outro». O edil lamenta «as péssimas condições do actual edifício, com rachas estruturais nas suas paredes», muito pelo facto «do comboio passar aqui ao lado, com enormes vibrações». «Também a sua escadaria é bonita, mas não serve as pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, os funcionários da Câmara há muito que merecem uma construção mais amiga do ambiente, inteligente e moderna. Felizmente, devido à gestão financeira adequada, podemos fazê-lo», defendeu.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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