Chama-se André Loureiro, tem 32 anos e é natural da Pampilhosa, no concelho da Mealhada. No seu (ainda) curto percurso de vida conta já com uma carreira internacional em hóquei em patins, modalidade que acabou por abandonar, aos 27 anos, para se dedicar à cozinha. Primeiro em Portugal, depois no mítico «The Arts Club», situado perto do Green Park em Londres, onde trabalhou durante dois anos com chef’s de todo o mundo. Seguiu-se a Austrália, uma experiência com o chef Grant King, antigo jurado no «Masterchef» australiano, e a conquista do lugar de subchefe no restaurante gourmet «Bentley». Em setembro do ano passado, a pandemia trouxe-o de volta a Portugal, tendo o jovem resolvido permanecer e abraçar o negócio dos pais, na vila da Pampilhosa, dando-lhe a inovação que aprendeu «com alguns dos melhores do mundo».

Foi na semana em que as restrições começaram a aliviar para o sector da restauração, que André Loureiro falou com o «Bairrada Informação», começando por recordar os tempos de criança. Uma infância dedicada ao hóquei em patins, onde com três anos já jogava no clube de Anadia; aos doze no Bom Sucesso, em Aveiro; e aos 14 defendia as cores do Hóquei Clube da Mealhada. «Foi precisamente quando estava no HCM que fui contactado para um clube da primeira divisão na Alemanha», recorda sobre um país onde esteve durante quatro anos e meio. «Foi lá que fiz os meus 16 anos…», conta, desvendando que aos 21 anos, quando veio de férias a Portugal, «a minha mãe já não me deixou voltar porque queria que eu fosse estudar».

Com jeito para as artes e escultura e uma aptidão para a cozinha, tornou-se fácil a escolha por um curso de «Cozinha e Pastelaria» na Escola Profissional de Anadia, onde acabou a estagiar num hotel na Madeira, durante três meses. «Por esta altura jogava na Académica, mas não foi nada fácil, pois como tinha passe internacional, o clube tinha que pagar à Associação de Patinagem para eu estar ali e os recursos financeiros eram escassos».

A frequentar a Escola de Hotelaria em Coimbra, viu-se «obrigado» a abandonar o percurso desportivo, por sentir que «não estava a conseguir conciliar». Estagiou na Régua com o chef Rui Paula e permaneceu no Norte por mais de meio ano. «Em 2017 fui desafiado por um colega para fazer os testes num clube de membros privado, em Londres, só frequentado por magnatas de diversos pontos do mundo», conta o jovem, confessando que «o facto de ter sido jogador ajudou nesta entrada»: «Para eles significava persistência e responsabilidade». «Das melhores escolas que tive na vida», desabafa, recordando o local com mais de 60 cozinheiros, provenientes de vários pontos do globo, assim como as 16 horas diárias de trabalho. «Só num dia batemos o recorde de 980 pessoas, mas o normal era fazermos cerca de 700 “covers” diários. Tudo à base de comida gourmet, molecular», recorda, sublinhando que ali ganhou «curiosidade, gosto e rigor pela cozinha»: «Quando se trabalha para a elite, nada pode falhar».

Uma paixão levou-o até à Austrália. Começou por trabalhar num café-restaurante, mas depressa se viu ao lado do chef Grant King no hotel «QT Sydney», espaço onde lhe foram dadas todas as condições para ficar durante cinco anos. Naquele país, foi ainda subchefe num restaurante, mas a pandemia por covid-19 trouxe-o de volta a Portugal, mais concretamente ao negócio explorado pelos pais, há quase quatro décadas, na vila da Pampilhosa, o «Expresso». «Sempre me identifiquei muito com isto e quando cheguei resolvi introduzir a parte de restauração com serviço de almoços e jantares», diz.

André Loureiro faz já um balanço positivo, mesmo em pandemia, tendo como objectivo «a aposta na cozinha europeia, enraizando os conhecimentos e construindo parcerias». «É somente isto que pretendo», remata ao nosso jornal.

 

Mónica Sofia Lopes