O Pavilhão de Desportos em Anadia transformou-se, na manhã de ontem, num centro de testagem covid-19 promovido pela Cruz Vermelha Portuguesa, numa parceria com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, e que abrangeu cerca de 80 profissionais de IPSS maioritariamente do concelho anadiense. «Os testes vão às pessoas e não o contrário. É muito mais seguro, cómodo e rápido», afiança João Cunha, coordenador local adjunto de emergência da Delegação de Coimbra da Cruz Vermelha.

As unidades móveis da Cruz Vermelha Portuguesa estão no terreno desde 24 de março e se no Verão se sentiu uma «acalmia», a partir de novembro o trabalho das brigadas de testagem passou a ser diário. «Este tipo de serviço permite uma atuação rápida em caso de infeção. Por exemplo, um utente de uma IPSS vai ao hospital por qualquer razão, faz o teste à covid-19 e dá positivo. O lar onde ele está aciona logo uma equipa nossa e garante, assim, a testagem quase imediata de todos os utentes e colaboradores», afirma João Cunha, explicando que a Cruz Vermelha consegue fazer dois tipos de testes (de zaragatoa nasofaríngea): «Os moleculares, 100% fiáveis, cujo processo remete para o laboratório e o resultado fica disponível entre 12 a 24 horas. Há ainda os designados “testes rápidos” que detetam o antigénio, ficando o resultado disponível em 20 minutos e cuja sensibilidade é de 93 a 96% quando comparado com os moleculares».

Uma das seis unidades móveis – oferecidas à coordenação nacional de emergência pela Ageas Seguros e Médis – estaciona todas as quintas-feiras na zona desportiva de Anadia, cumprindo um protocolo estabelecido entre a Cruz Vermelha e o Ministério da Segurança Social para a realização de testes moleculares, previamente marcados, a colaboradores de IPSS. «É nos enviada, previamente, a listagem das pessoas. No local, fazemos a admissão de cada uma e confirmamos os dados comparando com a lista que temos. Segue-se o teste e o envio do resultado no dia seguinte para a pessoa testada e também para a instituição», explica ainda João Cunha.

Para o coordenador local adjunto de emergência da Delegação de Coimbra, mais do que uma medida preventiva, está em causa «a descentralização dos testes». «As brigadas programadas vêm a Anadia, mas também vão a Aveiro, Castelo Branco, Vila Velha de Rodão, etc. Vamos a locais onde até só temos 20 a 30 testes, mas fazemo-lo, precisamente, para evitar que essas pessoas, do Centro Interior, se desloquem e vão a locais de maior risco de contágio», explica, garantindo ser este procedimento «muito mais seguro, cómodo e rápido».

Quem usufrui do serviço, aplaude. Do Lar Verde Pinho, da Candeeira, Avelãs de Cima, encontrámos, ontem, no final da realização dos testes, Patrícia Lopes e Lúcia Martins. «Já é a quarta vez que faço. Custa um bocadinho, mas acho importante que seja feita esta testagem para maior segurança. Se calhar até o devíamos fazer todas as semanas…», admite Patrícia Lopes. Já Lúcia Martins afirma ser «recorrente» fazer a testagem, garantindo que assim ainda se sente «mais segura». «Os testes e os cuidados são fundamentais nesta situação de pandemia», defende.

A nível nacional a Cruz Vermelha Portuguesa já realizou 100 mil testes. «Em Coimbra, só em unidades móveis, já foram realizados 10 mil», remata João Cunha.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia de capa de Mafalda Esteves

Vídeo de João Cunha