O vinho tem uma importância decisiva no município da Mealhada, concelho que faz parte integrante da região demarcada da Bairrada. Em conversa com o «Bairrada Informação», Rui Marqueiro, presidente da Autarquia, destaca o papel fundamental dos produtores instalados no concelho, fala das «4 Maravilhas da Mesa da Mealhada» e da produção de um vinho e de um espumante associados à marca, bem como de um evento, criado há quatro anos, que alia o vinho ao jazz: o MeaJazz.

«O vinho é uma referência obrigatória na história e nas estórias das gentes, dos usos e costumes do povo da Mealhada. Hoje é muito mais do que uma simples forma de subsistência de famílias. É uma arte, uma cultura, uma tradição incontornável e uma peça importantíssima neste puzzle histórico-cultural concelhio», começa por descrever Rui Marqueiro, destacando um dos produtores «mais importantes» da região: as Caves Messias. «Têm produção na Bairrada, no Douro e no Dão e ainda uma aposta fortíssima nos vinhos do Porto», explica o autarca, destacando, por exemplo, o Messias Clássico Garrafeira Tinto 2010, produzido pela referida empresa familiar, «muito reconhecido em vários certames». Acerca da Quinta do Valdoeiro, propriedade dos «Messias», o presidente da Câmara da Mealhada garante que «se não é, já foi a maior vinha contínua da Bairrada».

Em Ventosa do Bairro, encontra-se a Quinta do Carvalhinho, uma propriedade da família Navega, desde a sua origem até aos dias de hoje. «“Oferece” uma experiência única de enoturismo, numa casa de turismo de habitação junto às vinhas», descreve o autarca, destacando também a Rama & Selas, uma marca com vinhos premiados e um belíssimo espaço de eventos situado no Carqueijo.

Apesar de estar integrada na Associação Rota da Bairrada, a Autarquia da Mealhada criou a sua marca municipal – «4 Maravilhas da Mesa da Mealhada – Água, Pão, Vinho e Leitão» -, da qual fazem parte 35 associados, entre restaurantes, produtores, hoteleiros, padarias, etc. Em relação ao sector vinícola integram a marca, a Adega Casa de Sarmento, António Selas, Caves Messias, J. Rama, Jorge Manuel Ferreira Rama, Quinta do Azinhal, Quinta do Carvalhinho e Wineland. «Temos conhecimento de outros produtores que não fazem parte da Associação, mas que os queremos trazer para esta comunidade», referiu o edil, garantindo que o papel da marca é simples: «Unir as empresas, procurando incentivar os consumidores. A oferta existe e tem que se fazer de tudo para que a procurem!».

Em dezembro de 2018, a Associação Maravilhas da Mealhada lançou no mercado, o espumante 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada. «Um espumante Bairrada, Branco, Baga/ Arinto, que se caracteriza por um aroma de carácter delicado, com notas cítricas e de frutos vermelhos, num fundo de aromas de padaria. Mousse viva e acidez vincada gustativamente, antevendo excelente aptidão gastronómica. A aparência é de cor salmão ligeira e de efervescência abundante», descreve uma nota municipal, explicando que «foi produzido por um aderente do projeto 4 Maravilhas, selecionado por um conjunto de especialistas numa prova cega». O novo produto veio juntar-se, assim, ao vinho tinto das Maravilhas, criado, em 2014, a partir de uma seleção de lotes de uvas dos produtores aderentes.

Nos últimos anos, o Município tem também sido fonte de divulgação do sector vínico. A exemplo, a abertura do Posto de Turismo na cidade da Mealhada, «recheado» de produtos endógenos onde não falta uma «montra» diversificada de vinhos, assim como a criação de um evento que «casa» o jazz com o vinho – MeaJazz – e que se realiza, na cidade da Mealhada, de há quatro anos para cá. Com entradas gratuitas, a iniciativa reúne artistas e bandas de vários países, num «certame» onde são convidados os produtores do concelho com a finalidade de mostrarem os seus produtos vínicos.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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