A Câmara da Mealhada mantém a posição de emitir a Declaração de Interesse Municipal para a concordância entre a Linha da Beira Alta e a Linha do Norte, depois de um pedido de revogação por parte dos vereadores da oposição. Rui Marqueiro, presidente da Autarquia, reuniu com responsáveis da Infraestruturas de Portugal, na passada segunda-feira, e considera que «a obra far-se-á na mesma», com ou sem parecer da Câmara, adiantando que esta é uma janela de oportunidade para as obras da Estação da Pampilhosa.

No início de agosto, a emissão da Declaração de Interesse Municipal para a concordância entre a Linha da Beira Alta e a Linha do Norte foi aprovada, por maioria, pelo executivo camarário, com os vereadores da coligação a defenderem um conjunto de contrapartidas. Já na Assembleia Municipal, e depois de alguns populares visados no troço se manifestarem descontentes, o assunto foi retirado da ordem do dia para que Rui Marqueiro pudesse, junto da Infraestruturas de Portugal, obter mais informações.

Na passada quinta-feira, e antes do tema voltar a ser discutido em sessão extraordinária na Autarquia, alguns munícipes da Pampilhosa e do Travasso manifestaram-se junto ao edifício dos Paços do Município, tendo um grupo restrito sido recebido pelo presidente da Câmara. Para os manifestantes «o processo foi escondido da população, sem discussão pública e sem avaliação ambiental», exigindo agora «um conjunto de contrapartidas», nomeadamente, «a preservação do aquífero do Travasso, a requalificação imediata da Estação da Pampilhosa e a viabilização de um Núcleo Museológico com a Locomotiva BA61 como foco».

Em resposta, e já na sessão camarária, Rui Marqueiro recordou uma reunião realizada na Pampilhosa, em julho de 2017, promovida pelo executivo camarário com os técnicos e engenheiros da Infraestruturas de Portugal, onde a população esteve presente «em massa», assim como os presidentes das Juntas da Pampilhosa e da Vacariça. «A sessão foi publicitada nos jornais e a sala estava cheia», referiu o autarca, adiantando que, na reunião que teve agora com representantes da IP (a 31 de Agosto de 2020), lhe foi dito que se a declaração não for emitida, a obra prossegue noutro troço até à fronteira, mudando-se, entretanto, a legislação para a restante conclusão. «Este é um tipo de obra que nem precisa de Estudo Impacto Ambiental», disse ainda o autarca, adiantando que a IP se responsabiliza «pela obra da Estação da Pampilhosa, com a fase de projeto para 2021, execução em 2022 e términus em 2023».

Rui Marqueiro considera ser este «um investimento de interesse nacional» que, «tal como outras obras, prejudica sempre uma ou outra pessoa». «Quando se construiu a Autoestrada foram destruídas imensas vinhas na Bairrada, mas o que é certo é que a obra não deixou de se fazer até porque o Estado tem medidas de exceção», exemplificou o edil, acrescentando que «há dois séculos, aquando da construção da Linha da Beira Alta, houve muita gente prejudicada».

A coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada» manteve a sua posição e propôs «a anulação da decisão da Câmara». «Reconhecemos o interesse nacional, mas reconhecemos também o interesse local que não está salvaguardado», disse o vereador da oposição, Adérito Duarte, afirmando que «há pessoas com projetos de habitação, alguns já em construção, a poucos metros de serem apanhados por este troço e que não foram informados de nada».

O pedido de revogação foi rejeitado com quatro votos contra e três a favor, voltando o assunto à próxima sessão da assembleia municipal.

 

Mónica Sofia Lopes